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Índices de confiança sinalizam recuperação em prévias de junho, nota FGV

Alessandra Saraiva

Para pesquisadora, normalidade em confiança de empresários e consumidores só virá em 2021 A expectativa de reabertura gradual da economia, já indicada por algumas cidades, levou a sinais de recuperação de confiança entre empresariado e consumidores em junho ante maio, nas prévias das sondagens apuradas pela Fundação Getulio Vargas (FGV), anunciadas hoje. No entanto, os sinais de melhora ante mês anterior não representam retorno à normalidade após a eclosão da pandemia em meados de março, explicou Viviane Seda Bittencourt, coordenadora das Sondagens da fundação.

Na prática, a confiança do consumidor, mesmo com sinalização menos desfavorável em junho, opera em patamar inferior a da confiança do empresário, informou a técnica. Isso significa que a demanda ainda tem um longo caminho a seguir para voltar ao que era antes da crise causada pela covid-19 - o que tornará lenta e gradual recuperação dos negócios das empresas. "Só veremos um cenário ao que era antes da pandemia [em confiança] em 2021", acrescentou a especialista.

Nos resultados preliminares anunciados hoje, Indústria, Serviços, Comércio, Construção indicaram quadro mais favorável de confiança em junho ante maio, nas sondagens da FGV, bem como o Consumidor. O Índice de Confiança da Indústria (ICI) sinalizou alta de 17 pontos; o Índice de Confiança de Serviços (ICS), aumento de 10,2 pontos; o Índice de Confiança de Comércio (Icom), expansão de 17,2 pontos; e a confiança da construção, elevação de 5,6 pontos. Esses resultados conduzem a uma alta de 14,5 pontos na prévia do Índice Confiança Empresarial (ICE) de junho, ante maio.

Já o aumento sinalizado na confiança do consumo é quase metade do aguardado para o ICE. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) sinaliza alta de 8,9 pontos na prévia de junho ante maio. "Em junho, existe um movimento forte de expectativas de reabertura de comércio, da indústria, em expectativa de [elevar a ] produção", comentou ela. "Mas a confiança do consumidor não está indo na mesma velocidade, seja em avaliar situação atual ou em expectativa. O consumidor é mais pessimista na tendência de recuperação no curto prazo", resumiu ela.

Para exemplificar essa diferença no patamar de humor entre empresários e consumidores, em junho, ela citou a evolução, em pontos, do ICE e do ICC em junho. Com a alta esperada para o mês, sinalizada na prévia, o ICE subiria para 80 pontos; já o ICC avançaria 71 pontos. "Um índice esta em 80 pontos, outro na faixa de 70 pontos. É uma diferença bem grande", afirmou ela.

Viviane lembrou que, com a crise atual, ocorreu aumento de desemprego, bem como de corte de salários. Houve aumento de inadimplência, por conta de perda de renda, notou ela. Esse contexto, observou a pesquisadora, eleva cautela do consumidor para compras, e inibe consumo.

As empresas por sua vez tiveram que lidar com queda brusca na demanda, devido ao avanço da covid-19, que gerou medidas restritivas de circução de pessoas, e suspensão de algumas atividades de serviços, a partir de meados de março. O cenário levou às companhias a um patamar elevado de endividamento, acima do que era observado antes da pandemia, observou ela.

Ao ser questionada sobre quando poderia se dar recuperação da confiança, tanto entre os empresários quanto entre consumidores, para patamar similar ao que era registrado antes da covid-19, a técnica foi cautelosa. Ela observou que não deve ser esperada retomada de confiança de igual porte, ao mesmo tempo, em todos os setores da economia. "Alguns setores vão se recuperar mais rápido do que os outros" disse, citando segmentos ligados a alimentação, farmacêutica e química como os mais prováveis a retomarem de forma mais ágil — seja em serviços, ou em indústria.

Ela notou, ainda, que a profundidade do prejuízo causado pela covid-19 na economia brasileira foi tão intenso que isso, na prática, faz com que caminho da retomada seja mais longo. Hoje, o IBGE anunciou queda recorde de vendas no varejo em abril, pior resultado em 20 anos, devido à pandemia, lembrou ela.

“Acho que podemos dizer que confiança, somente em 2021" reiterou ela em relação ao retorno a um cenário equivalente ao pré-pandemia.

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