Índice deve desacelerar este ano, diz FGV

Depois da alta de 7,8% em 2012, a tendência é de desaceleração do Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) este ano, de acordo com o economista Salomão Quadros, coordenador de Índices da Fundação Getulio Vargas (FGV). O alívio deve vir, principalmente, nos preços dos produtos agrícolas comercializáveis no mercado internacional (commodities).

O economista explica que a alta do IGP-M no ano passado foi motivada, em primeiro lugar, pelas quebras de safras agrícolas, a da soja em particular.

Segundo ele, o produto subiu, de janeiro a dezembro, 67,29%. Junto com a soja em grão, subiram também o farelo e o óleo. A alta do farelo, de 85,13%, combinada à do milho, de 26,80%, pressionou as rações e estas, as carnes suínas e de aves. Subiram também trigo, mandioca, arroz e feijão, todos acima de 45%.

"Estes aumentos se deveram a problemas climáticos no Brasil e nos Estados Unidos", frisa Quadros. "Foi, portanto, uma retração de oferta que deverá em boa parte ser compensada por safras abundantes este ano."

Ele argumenta que os preços estão elevados, o que estimula o plantio. O risco, observa, é a ocorrência de novos problemas climáticos. Até o momento, porém, as condições são favoráveis e as primeiras estimativas divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a safra de grãos deve ser recorde.

"Nessas circunstâncias, a expectativa é que os preços agrícolas tragam um razoável alívio este ano", afirma o economista.

Além de problemas climáticos, houve ainda em 2012 o efeito da desvalorização cambial, que contribuiu para elevar tanto os produtos agrícolas como os industriais. "Pelas sinalizações do Banco Central, não se espera nova rodada de desvalorização em 2013", diz o economista.

Entre os fatores que podem impulsionar o índice estão a volta do IPI dos duráveis, alguns preços administrados, como as tarifas de ônibus, e um possível aumento da gasolina. "No cômputo geral, porém, a tendência é de desaceleração do IGP-M em 2013. Melhor para os inquilinos", conclui Quadros. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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