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Índia: Agricultores bloqueiam ferrovias e estradas contra reformas

·3 minutos de leitura

Governo de Narendra Modi tenta desregulamentar comércio de commodities agrícolas Produtores rurais bloquearam estradas e ferrovias em toda a Índia nesta sexta-feira, o segundo dia consecutivo de protestos contra uma reforma proposta pelo governo que, segundo eles, os deixará à mercê do agronegócio corporativo. O Partido do Povo Indiano, do primeiro-ministro Narendra Modi, apresentou no Parlamento três projetos de lei para desregulamentar o comércio de commodities agrícolas, ignorando as demandas de outras legendas aliadas e da oposição. Segundo reportagem do jornal “Financial Times”, a reforma substitui as regras da era socialista, que exigiam que os agricultores vendessem suas safras a intermediários licenciados em mercados estatais. Críticos da medida acusam o governo de usar a pandemia de covid-19 para aprovar reformas polêmicas e promover sua agenda econômica mais ampla. Modi argumenta que o comércio mais livre beneficiará os produtores, permitindo que eles negociem preços mais altos com um número maior de compradores. “Por décadas, o fazendeiro indiano esteve preso a várias restrições e foi intimidado por intermediários”, ele escreveu nesta semana, no Twitter, acrescentando que a reforma “libertará” os produtores desses problemas. No entanto, as reformas aumentaram a ansiedade entre os agricultores, especialmente nos Estados de Punjab e Haryana, os maiores produtores de grãos do país. Eles querem saber se a Food Corporation of India (FCI) continuará comprando seus produtos a preços estabelecidos pelo governo. O sistema garante a eles um retorno mínimo. Os produtores temem que a desregulamentação os deixe vulneráveis a poderosos interesses corporativos e em uma posição de negociação ainda mais fraca. “Vamos protestar contra a nova lei até morrermos, porque ela vai nos arruinar”, disse Makhan Singh, um agricultor que cultiva trigo e arroz em Punjab, durante um protesto em Ludhiana. “O novo sistema vai nos escravizar muito mais do que os britânicos, nos deixará à mercê dos comerciantes privados.” Economistas avaliam que o sistema tradicional estabelece incentivos perversos para os agricultores cultivarem grãos de forma excessiva, deixando de lado alimentos que seriam mais nutritivos, mas que não são comprados pelo governo. Eles também avaliam que a liberação do comércio é essencial para aumentar a produtividade, por considerarem que laços diretos entre agricultores e grandes empresas de processamento de alimentos promoveriam investimentos em infraestrutura rural, ampliando também a renda dos produtores. Para Amit Vatsyayan, analista ouvido pelo “Financial Times”, a reforma facilitaria o fluxo de investimentos, a criação de infraestrutura pós-colheita, algo que, segundo ele, é extremamente necessário no país, e poderia ampliar os lucros para os agricultores. Os produtores, porém, continuam céticos. “O medo é, obviamente, de exploração”, disse Ajay Vir Jakhar, presidente da Bharat Krishak Samaj, uma associação de agricultores. Eles temem que os intermediários menores sejam substituídos por maiores, com mais poder financeiro para explorá-los. Os protestos são representam o primeiro movimento de grande escala contra o governo da Índia desde o “lockdown” decretado em março e mostram as relações tensas entre os agricultores e o partido de Modi, cuja base de apoio é mais urbana. Desde 2014, a renda rural foi severamente pressionada, à medida que o governo usou importações e controle de exportações para combater a inflação dos alimentos nos grandes centros urbanos. Recentemente, a Índia proibiu as exportações de cebola, provocando um colapso dos preços de um dos produtos mais politicamente sensíveis do país.