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É verdade que a asma piora durante a noite? Descubra!

·5 minuto de leitura

Pessoas com asma, uma doença crônica comum que afeta as vias aéreas, têm suas piores crises durante à noite, e cientistas tentam descobrir o motivo até hoje. A doença consiste no fechamento da passagem de ar, que resulta na dificuldade em respirar. Como consequência, o paciente passa a sentir também uma dor constante no peito, a respiração fica ofegante e logo vem a tosse intensa.

Ao longo dos últimos séculos, pesquisadores descobriram que, de fato, as piores crises acontecem à noite, com a probabilidade de serem mais fatais. Porém, nenhum deles chegou a uma resposta concreta sobre o motivo disso acontecer. Entre as hipóteses estão a posição em que o corpo fica durante a noite, substâncias alergênicas na cama, e o próprio relógio biológico. Esta última é a mais interessante e a que motivou um estudo recente conduzido pelo médico Frank Scheer, nos Estados Unidos.

O relógio biológico também é conhecido como sistema circadiano, responsável por regular os hormônios, o batimento cardíaco e o sistema imunológico em ciclos de 24 horas. Mesmo se tratando de um sistema interno, fatores externos podem afetar o seu funcionamento, como horários de trabalho e alimentação, o dia e a noite, entre outros. Isolar o sistema circadiano desses fatores externos para conduzir pesquisas, no entanto, era praticamente impossível. Até então.

<em>Imagem: Reprodução/Twenty20photos/Envato Elements</em>
Imagem: Reprodução/Twenty20photos/Envato Elements

Testes

Scheer e sua equipe descobriram uma forma de separar as questões externas que podem contribuir para o agravamento das crises de asma, chegando a resultados interessantes. No estudo, 17 participantes diagnosticados com asma rastrearam suas funções pulmonares em casa, enquanto viviam a vida normalmente. A análise era feita quatro vezes ao dia com a ajuda de um espirômetro portátil, aparelho que mede a quantidade de ar que é expulsa dos pulmões em um segundo.

Os participantes também precisaram registrar os sintomas das crises todas as vezes que precisaram usar os inaladores. Posteriormente, o estudo evoluiu e precisou de dois experimentos diferentes com o mesmo grupo, que precisou ficar no local de estudo, o Brigham and Women's Hospital, em uma sala escura. No primeiro, eles ficaram em uma cama por 38 horas e não podiam dormir, apenas levantar para usar o banheiro, fazer atividades e se alimentar a cada duas horas apenas com sanduíches de atum ou pasta de amendoim. As atividades precisaram ser leves, sem eles precisarem se mover e que não provocasse animação ou raiva.

"O protocolo de rotina constante é baseado no conceito de que você remove qualquer ritmicidade de 24 horas e quaisquer fatores, ambientais ou comportamentais, que possam induzir alterações na fisiologia", conta o líder do estudo. Para analisar os resultados, os voluntários ficaram conectados a termômetros que mediam a temperatura central de forma contínua. A cada quatro horas, os enfermeiros faziam a coleta de sangue e urina, testavam a respiração com o espirômetro e mediam a resistência das vias aéreas, que podem indicar a existência de inchaço ou acúmulo de muco.

Na última fase de testes, foi aplicado o protocolo de dessincronia forçada. Os 17 participantes permaneceram em condições de pouca luz por oito dias, vivendo ciclos de 28 horas em vez de 24 horas, com permissão para dormir, tomar banho e comer. Eles podiam se mover um pouco mais do que no protocolo anterior, mas não eram autorizados a sair ou fazer exercícios mais intensos. Os participantes também passavam por exames nas vias aéreas a cada duas ou quatro horas.

<em>Imagem: Reprodução/Freepik</em>
Imagem: Reprodução/Freepik

Resultado

Ao final dos três experimentos, os cientistas descobriram que o ritmo circadiano contribui, de fato, para o agravamento da asma. Durante a noite, os pesquisadores relataram que quando o relógio biológico dos participantes entendia que era hora de dormir, a probabilidade de usar os inaladores era quatro vezes maior. Além disso, os participantes que tiveram aumento na função pulmonar durante o dia também apresentaram mais resistência das vias aéreas durante a noite e resultados menos satisfatórios com o espirômetro. E quando o sono coincidia com a noite, a resistência das vias aéreas era maior.

Sendo assim, a conclusão diz que o ritmo circadiano afeta a asma, independente dos comportamentos e se a pessoa está dormindo ou acordada. Os comportamentos, no entanto, podem afetar a frequência e gravidade dos ataques, pois o relógio biológico nunca atua sozinho e sempre será afetado pela luz, ciclos de sono, horário de trabalho, exercício e refeição. O que ainda não está claro é como o sistema circadiano piora a asma, mas há algumas novas hipóteses.

Os pesquisadores acreditam que seja influência do cortisol, hormônio fortemente regulado pelo sistema circadiano e que é desencadeado pelo estresse. Os níveis de cortisol são reduzidos durante a noite, enquanto aumentam pela manhã, fazendo com que mais glicose seja liberada na corrente sanguínea para preparar o corpo para as atividades diárias. Sendo assim, com a redução do hormônio à noite, a função pulmonar também é reduzida.

Os cientistas também atribuem a possibilidade de o ciclo ser afetado pela melatonina, que aumenta conforme ficamos mais sonolentos e, consequentemente, contribuindo para a atividade dos pulmões. Há a chance ainda do agravamento pelo sistema nervoso autônomo, que é responsável por controlar os movimentos involuntários do organismo, como batimentos cardíacos, que também estão conectados ao ritmo circadiano.

Não se sabe também se existe uma conexão do cérebro com a asma no núcleo supraquiasmático, que controla o ritmo circadiano. Mas os cientistas descobriram que as células do pulmão possuem relógios moleculares autônomos e, possivelmente, estão envolvidos na regulação da função pulmonar. Com os resultados dos experimentos, os pesquisadores descobriram que ainda terão muito trabalho para descobrir as causas e possíveis tratamentos.

Você pode conferir o estudo neste link.

Fonte: Canaltech

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