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É preciso tratar a China com respeito, diz líder de entidade ruralista

MARCELO TOLEDO
·6 minuto de leitura

RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Falar do futuro é falar da China, da demanda do principal parceiro comercial do país há mais de uma década, e o Brasil deve se comportar de maneira comercial e com muito respeito. É assim que a pecuarista e socióloga Teresa Vendramini se refere às perspectivas do agronegócio brasileiro para este ano, após um 2020 repleto de desafios que resultaram em ganhos e perdas para o setor devido ao coronavírus. Presidente da SRB (Sociedade Rural Brasileira) e primeira mulher a ocupar o cargo na centenária associação de produtores rurais, ela disse que movimentos de mulheres em todo o país não podem ser subestimados e que o agronegócio nacional mostrou durante a pandemia estar mais preparado do que se esperava para enfrentar a crise. * Pergunta - De que forma a pandemia impactou o agronegócio nacional em 2020? Teresa Vendramini - Vivemos uma dualidade muito intensa. Não se pode desmerecer, ao contrário, é preciso dar uma importância muito grande para este momento da Covid-19. Houve três grandes acontecimentos nos últimos 30 anos, a queda do Muro de Berlim, que gerou reorganização política e econômica, o 11 de Setembro, com reorganização da segurança internacional, e a pandemia, que força uma nova reorganização, agora da sanidade humana e vegetal. O agro é essencial, não parou, e o que a gente viu foi um agro que acho que nem ele sabia que estava tão pronto para enfrentar a crise como estava. No primeiro momento, gosto de lembrar, pois parece que não aconteceu, tivemos problemas pontuais, sim. O problema de Holambra, das flores [perdas], não sabia da dimensão daquilo. O Brasil parou, o mundo parou de celebrar, de comprar flores. Tivemos problema com o leite também. Tanto que enviamos uma carta ao presidente e deputados pedindo a livre circulação. Nesse documento, o principal pedido foi o de que o país evitasse o desabastecimento, mantendo em funcionamento rodovias e ferrovias... TV - Isso mesmo, naquele momento era uma preocupação, hoje não falamos disso. Mas poucos meses atrás tivemos problemas. Saindo um pouco do agro, foi muito difícil para todas as pessoas não saber o que estava realmente acontecendo. Mas o agro seguiu firme e acho que surpreendeu a todos. O desabastecimento [devido a outros fatores] era uma preocupação no começo, o mundo inteiro viveu essa preocupação. Mas o Brasil não teve a preocupação de que iria faltar pacote de arroz na prateleira do supermercado, porque continuou produzindo. E o agro foi o único setor que contratou no período. Em abril, no meio da pandemia, uma ala do DEM chegou a cogitar a saída da ministra Tereza Cristina (Agricultura) do governo Bolsonaro. A senhora defendeu a permanência. Se ela tivesse saído naquele momento, teria mudado algo no agro e nas relações com a pandemia e com o governo? TV - Ela faz um trabalho excepcional. Às vezes fico pensando: se ela não estivesse ali, quem seria o interlocutor? Ela é a grande interlocutora do mercado. Desde o começo ela é a figura que faz a ponte com o agro. Ela é do agro, e o setor confia nela. Sinceramente não sei responder, ia depender de quem seria esse outro interlocutor. Com a pandemia ainda presente no dia a dia e a partir do crescimento que alguns setores do agronegócio apresentaram em 2020, quais são as perspectivas para 2021? TV - Há [boas] perspectivas, mas muitos desafios. Provavelmente o bom cenário deve se repetir em 2021 e falam até em 2022. Fomos surpreendidos por uma pandemia, mas tivemos uma situação atípica de grandes remunerações do agro. O auxílio emergencial também ajudou muito. Se hoje a estimativa é de um PIB em torno de -4%, se não tivesse o auxílio seria algo como -10%. As exportações vão ajudar a segurar os preços do boi nos níveis atuais. E falar de futuro é falar da China, da demanda da China. Ela ainda está em recuperação, mas vai continuar a importar mais carne bovina, isso deve se manter em 2021. O que acredito muito é que o Brasil deveria estreitar cada vez mais as relações com a China, óbvio, como nosso grande parceiro comercial. São responsáveis por 40% do que exportamos do nosso agro. Deveria ter carinho, cuidado com essas relações, estar sempre junto. Recentemente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) disse que a China quer usar sua liderança na tecnologia 5G para espionar países e tolher liberdades. É saudável criar conflitos do tipo com um parceiro comercial? TV - Acredito que a gente sempre deva se comportar com nossos parceiros de uma maneira comercial e com muito respeito por eles. Acredito, espero, que essas colocações sejam pessoais, espero e sempre levo em consideração que são opiniões pessoais. Agora, o agronegócio está preocupado em cada vez exportar mais, ter mais emprego, ter essa capilaridade. Precisamos falar em Brasil, em empregos. Sou uma pessoa que senta na mesa e quer conversar. A vida é muito maior que uma opinião pessoal. Por que a SRB demorou mais de cem anos para eleger uma mulher como presidente? TV - Estive os últimos três anos na SRB, trabalhei muito no departamento de pecuária, fazendo essa conexão com produtores. Acho que cheguei à presidência primeiro porque sou uma pessoa que acredita, que presta atenção nos problemas do agro, mas também acho que todas as entidades e empresas do país estão querendo se modernizar. Hoje em dia várias mulheres estão no comando, e os conselheiros da SRB chegaram à conclusão de que era a hora de uma mulher e eu era a mulher que deveria estar ali. E, em todo o restante da diretoria e do conselho, com cerca de 40 nomes, há apenas três mulheres. TV - Mas estamos caminhando. Não podemos subestimar os movimentos de mulheres no Brasil, cada vez aumentando mais e mais, se organizando no país inteiro. Isso está crescente no agro. Espero que as famílias do agro deem oportunidades para as filhas da mesma maneira que um filho é levado para a gestão. Não se pensava [no passado] que ela pudesse tocar o negócio ou participar da gestão. Quando vou falar para os homens, falo: "Tomara que as filhas de um de vocês esteja no meu posto no futuro", que é para motivar, para pensarem nisso. A senhora assumiu o cargo tendo como meta fortalecer o diálogo com ambiente e sustentabilidade. Tivemos um ano de recordes de queimadas no Pantanal e de desmatamento na Amazônia. O que tem sido feito nesse sentido? TV - Vejo os dois lados, participo dos dois lados das discussões. Tem coisas do agro que são muito difíceis para o produtor. Quando estava no auge das queimadas na Amazônia, o produtor rural foi de alguma maneira punido como se ele tivesse colocado fogo. Ele não é essa pessoa. Estive no Pará e vi o desespero das pessoas para ajudar a apagar fogo. Óbvio que há casos esporádicos, está acontecendo sim, tivemos várias queimadas, houve aumento de desmatamento, a gente está tendo tudo isso, mas, como produtora rural e presidente da SRB, gosto muito de afastar o produtor rural desse protagonismo que não é dele. É caso de polícia, o governo deveria intervir e o agro pede isso. E como resolver isso? TV - O que temos pedido é que, a partir do momento em que o Código Florestal for realmente cumprido e fiscalizado, haverá efetividade grande nisso tudo. Outra coisa que caminha junto é a regularização fundiária. E ainda há outra questão importante [para 2021], que é o crédito rural. Acabou o dinheiro em 2020, e temos preocupação para 2021.