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'É preciso que sociedade ajude a ampliar leitos públicos', diz vice-presidente da Rede D'Or

CLÁUDIA COLLUCCI
·7 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Maior de rede hospitais privados do Brasil, com 55 unidades e 9.000 leitos, a Rede D'Or encabeça um movimento de empresas que tem expandido o número de leitos definitivos no SUS sem contrapartida de recursos públicos. “É preciso que o setor produtivo nacional, a sociedade, ajudem na ampliação de leitos públicos. É uma necessidade atual e futura, no pós-pandemia”, diz o médico Leandro Reis Tavares, 46, vice-presidente da Rede D'Or São Luiz​. Desde o início da pandemia, o grupo ajudou na abertura de mais de 1.200 leitos públicos, 400 dos quais em hospitais de campanha. Ao todo, foram investidos R$ 320 milhões em ações de apoio ao SUS, sendo R$ 220 milhões do caixa da Rede D’Or e R$ 100 milhões de empresas parceiras. Além do momento crítico atual, Tavares está preocupado com o pós-Covid. A rede já observa um aumento de volume de pacientes crônicos, ou por sequelas da infecção ou por quadros piorados porque retardaram tratamentos durante a pandemia. No sistema público, porém, a situação deve se tornar ainda mais crítica porque muitos estados e municípios estão com cirurgias e procedimentos eletivos suspensos. “A gente acha que isso ainda vai piorar muito no segundo semestre e no ano que vem. Um grande volume de atendimentos está ficando represado”, diz ele. PERGUNTA - Como está a ocupação dos leitos de UTI Covid e não Covid da Rede D´Or? LEANDRO REIS TAVARES - Assim como na rede privada como um todo, nossa ocupação está variando entre 85% e 90%. Metade dos nossos leitos de terapia intensiva está ocupada por Covid e a outra metade por doentes crônicos. São pacientes com consequências da Covid, como embolias e tromboses, ou que sofreram AVC (acidente vascular cerebral), infartos, que tiveram complicações obstrutivas dos diversos tipos de tumores. Muitos postergaram as suas cirurgias ou o tratamento médico necessário por medo da Covid. A gente acha que isso ainda vai piorar muito no segundo semestre e no ano que vem. Um grande volume de atendimento está ficando represado. P. - A rede D'Or tem financiado a abertura de leitos públicos em vários locais do país. Como tem funcionado isso? LT - Desde o início da pandemia, a gente já abriu mais de 1.200 leitos públicos, de UTI e de enfermaria. Desses, 400 foram em dois hospitais de campanha que já foram fechados. O restante a ideia é que sejam suportados para um funcionamento definitivo. A gente viu que a situação ia ser muito grave e que precisávamos dar suporte ao SUS, suporte real, ampliar leitos sem receita. Tem muita gente que quer ampliar leitos para o SUS, mas recebe a sua receitinha. Nós optamos por fazer um trabalho beneficente junto ao poder público em todas as regiões do país onde nós atuamos. Esse trabalho foi tão forte que mesmo em estados onde não atuamos pediram socorro, como Amazonas, para onde mandamos respiradores e medicamentos, e Roraima, que ajudamos com respiradores e EPIs (equipamentos de proteção individual). Nos lugares onde efetivamente atuamos, nós ajudamos o poder público a expandir leitos SUS. A gente tem uma visão clara do sofrimento atual, mas sabemos que vai passar, que vamos ter um pós-pandemia para viver. A nossa sociedade não via ruir. Nós queríamos, no pós-pandemia, aumentar o número de leitos públicos. Há uma necessidade do setor produtivo nacional e da sociedade ajudarem na ampliação de leitos públicos no país. É uma necessidade atual e uma necessidade futura. P. - Em razão do déficit anterior ou às demandas pós-Covid? LT - Minha preocupação é a demanda reprimida pela pandemia. Nos setor suplementar, conseguiu-se dar alguma assistência aos pacientes não-Covid. Mas muitas cidades e estados suspenderam totalmente a agenda eletiva dos pacientes não-Covid. Em gestão em saúde, a gente que olhar o presente com um olhinho no futuro. P. - E como será esse pós-Covid? LT - Será um momento de carga elevada de doenças, que vai gerar uma necessidade de mais leitos públicos. Teremos uma demanda menor de doentes com necessidade ventilatória, mas teremos um enorme quantitativo de pessoas com sequelas da Covid e todos os pacientes que atrasaram os seus atendimentos as suas cirurgias. P. - No Rio, a situação está bem complicada, com uma fila de espera enorme por leitos. De que forma, o setor privado tem ajudado? LT - Em todos os estados onde estamos há uma grande pressão por atendimento, necessidade de ampliação de acesso à saúde. O Rio de Janeiro tem uma fila relativamente bem estruturada, então é fácil chegar em um número de pessoas esperando um leito. Talvez nos outros estados não tenha isso. Na primeira onda, abrimos dois hospitais de campanha privados, foram postos de pé em 20 dias, com 50% de leitos de terapia intensiva com os mesmos respiradores, aparelhos de diálise que a gente usa nos nossos hospitais. Mais da metade dos profissionais veio das nossas unidades hospitalares. Esses dois hospitais não receberam dinheiro público, nenhum centavo, 100% do custeio vieram do caixa da Rede D'Or e de empresas parceiras. Depois da primeira onda, a gente focou em leitos definitivos, expandimos a capacidade de atendimento em hospitais federais e filantrópicos que atendem o SUS. Vamos ajudar a abrir nos próximos dias mais 50 leitos no Hospital da Lagoa, aportando recursos para o poder público e fazendo assessoria técnica para que possam ser contratadas pessoas. P. - Como está a situação das cirurgias eletivas na rede? Estão suspensas? LT - A nossa atenção continua máxima na tentativa de atender a necessidade da nossa população que está em sofrimento, mantendo as portas abertas para os atendimentos não-Covid. Não fechamos nenhuma unidade. Mas tenho Curitiba, Pernambuco e Bahia com proibição de cirurgias eletivas por decreto público. Ao mesmo tempo, eu já começo a ter queda relevante de Covid nessas praças. Não sei ainda como vai se dar essa dinâmica entre liberação de cirurgia eletiva e redução do Covid. No Rio e em São Paulo, a curva [de casos graves, que demandam UTI] não cede. Ela não cresce relevantemente, mas não cede. P. - Muitos pacientes jovens? LT - Sim, muitos pacientes de 30, 40 e poucos anos. Mudou mesmo o perfil da doença. Pela lógica médica, a explicação para isso é que essas cepas novas são mais contagiantes, contaminam uma base populacional maior. E como os jovens têm se mostrado mais permissivos em relação ao não isolamento social, estão mais expostos, estão sendo mais afetados. Mas ainda não existe uma explicação sedimentada, definitiva na literatura. O que gente percebe é que eles ficam um pouco mais de tempo porque são mais resistentes. Ou seja, quando acometidos pela forma mais grave, resistem mais. P. - O Instituto D'Or tem investido muito em pesquisas sobre a Covid-19. O que tem sido estudado? LT - A gente alocou R$ 40 milhões para as pesquisas, abrimos dez linhas de pesquisas diferentes sobre a Covid. Temos um braço epidemiológico, para avaliar características de idade, sexo e comportamento da doença, outra linha que avalia a genômica do vírus e a gravidade da doença que o paciente desenvolve. Temos pesquisas que avaliam a resposta de medicamentos ao tratamento do vírus, de medicamentos que estão usados para outras doenças e o quanto isso influi. A gente hoje é a maior base de pesquisa do país. É a única plataforma multicêntrica para teste de vacina contra a Covid. Podemos testar no Rio, em São Paulo, na Bahia. Ninguém tem isso no país. Temos 70 pós-doutores produzindo. É a principal instituição de produção científica privada do país. P. - E qual é o posicionamento da rede sobre o kit Covid que tantos ainda insistem em prescrever mesmo com evidências de que ele não traz benefícios para o paciente? LT - A gente sempre teve muito cuidado de buscar toda a literatura internacional disponível, ouvir os médicos. Quando definitivamente foi excluído o benefício da hidroxicloroquina e de outros drogas, isso passou a fazer parte dos nossos documentos como algo que deve ser evitado. LEANDRO REIS TAVARES, 46 Médico com especialização em cardiologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF); mestrado (UFF) e doutorado (USP) em medicina, além de MBA Executivo pela Fundação Dom Cabral. Atuou como médico e gestor nos hospitais da Rede Esho e na Amil Resgate Saúde. Foi diretor da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e atualmente é vice-presidente médico e de serviços externos da Rede D’Or São Luiz.