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É preciso evitar choque de inflação, diz economista-chefe do BOE

Lucy Meakin e Stephanie Flanders
·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- O Banco da Inglaterra deve ter um “foco a laser” para manter as expectativas de inflação sob controle após a pandemia, disse o economista-chefe da instituição, Andy Haldane, o que destaca o difícil equilíbrio enfrentado pelo país para administrar o enorme endividamento.

Embora o BOE esteja disposto a permitir que a alta dos preços ultrapasse temporariamente a meta de 2% enquanto a economia se recupera da atual crise, essa expectativa não pode se fortalecer, disse. Quando um país permite um salto das expectativas de inflação, os rendimentos de títulos sobem, o que leva a um aumento dos custos de pagamento da dívida e prejudica a recuperação.

“A última coisa que o mundo precisa agora é de uma surpresa desagradável da inflação”, disse Haldane, de 53 anos, em entrevista ao podcast Stephanomics da Bloomberg, veiculado na quarta-feira. Com uma breve superação da meta, com tanto estímulo monetário e estímulo fiscal injetados no sistema, “estaríamos supervigilantes”, disse, para que isso não seja refletido em mais medidas de médio prazo.

O BOE, como muitos outros bancos centrais, sabe que terá que encontrar uma maneira de garantir a estabilidade de preços sem comprometer as contas públicas. Países enfrentam as implicações dos enormes gastos fiscais necessários para apoiar empresas e famílias durante a crise de Covid-19.

A dívida pública do Reino Unido está em nível recorde para tempos de paz, equivalente a mais de um ano inteiro de PIB. Tem sido administrável até agora porque o BOE cortou as taxas de juros para quase zero e acelerou o programa de compra de títulos, o que levou os custos de financiamento para uma mínima histórica.

Se a política poderá permanecer tão frouxa depende da resposta de empresas e consumidores quando a crise termine. Na semana passada, um indicador do Citigroup e YouGov mostrou alta das expectativas de inflação das famílias do Reino Unido para os próximos 12 meses.

“Se este ano nos ensinou alguma coisa, é que precisamos ser muito sensíveis e muito responsivos aos dados”, disse Haldane. “Isso é mais como o resultado de uma crise financeira - lento e constante - ou é mais como a consequência da pandemia de gripe de 1918 ou de uma guerra mundial, que provocaram uma liberação muito mais rápida da demanda reprimida?”

Mudanças de longo prazo

Haldane, um veterano com 31 anos de BOE e um dos nove membros do Comitê de Política Monetária, também disse que o equilíbrio de longo prazo das pressões sobre os preços parece ter mudado.

Acadêmicos debatem se o envelhecimento da população e reação populista contra a globalização estão levando o mundo rumo ao avanço da inflação após anos de crescimento moderado dos preços.

“Estou aberto a essa possibilidade”, disse Haldane. “Esta é uma situação em que os riscos estão equilibrados, uniformemente equilibrados, a partir de uma situação dos últimos 10 anos em que a inclinação do risco apontava para baixo. E esta é uma mudança significativa, que nós, como membros de bancos centrais, precisamos levar em consideração.”

O economista-chefe do BOE concedeu a entrevista em 18 de dezembro, com autoridades britânicas e da União Europeia ainda em um impasse nas negociações comerciais antes do fim da transição do Brexit, e pouco antes do fechamento da fronteira para caminhões entre o Reino Unido e a França com o objetivo de controlar uma nova variante do coronavírus.

O Reino Unido terá uma trajetória com obstáculos no curto prazo, disse, mas poderá ver uma “recuperação de alívio” à medida que o risco do coronavírus diminua e a demanda reprimida seja liberada, afirmou.

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