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É natural que encurtemos um pouco o prazo das nossas atuações, diz diretor do BC

Victor Rezende
·4 minutos de leitura

Segundo Bruno Serra, anúncio sobre a mudança nas operações compromissadas está ligada à conjuntura, em linha com a redução de prazo feita pelo Tesouro na dívida pública O diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra, afirmou nesta quarta-feira que o encurtamento do prazo de operações compromissadas, anunciado ontem à noite, é natural diante de questões conjunturais, que obrigaram o Tesouro Nacional a encurtar o prazo médio da dívida pública. A estratégia de reduzir o prazo das compromissadas foi adotada, segundo o dirigente, “para não concorrer com a dívida pública”. Serra, além disso, enfatizou que a taxa básica de juros nas mínimas históricas não é o fator que tem dificultado o gerenciamento da dívida pelo Tesouro. “Se a Selic estivesse gerando dificuldade para a captação, o dinheiro estaria saindo de investimentos no Brasil. O investidor que está saindo de uma LFT tem ido para as compromissadas, ou seja, o problema não está na Selic”, disse o dirigente ao participar de evento organizado pela Renascença DTVM e pela Panamby Capital. Bruno Serra Fernandes, diretor de politica monetária do Banco Central, detalha mudança na estratégia de operações compromissadas Carol Carquejeiro/Valor Para o dirigente, a mudança no prazo das compromissadas é operacional, já que, “é indiferente, para o BC, se os investidores vão querer alocar recursos no overnight ou em títulos públicos”. Ele apontou, ainda, para fatores positivos de um alinhamento entre BC e Tesouro quanto a um diagnóstico claro do cenário à frente. Serra disse, ainda, que a raiz do problema que gerou uma correção significativa nas taxas de deságio das LFTs não está na Selic, mas sim na questão fiscal. “Temos dificuldade para controlar a dívida bruta e a mobiliária segue esse movimento”, afirmou. Durante o evento, ele lembrou que a abertura de prêmios nas LTNs de prazo mais longo já estava em andamento e que, depois do início desse movimento, as taxas de deságio das LFTs começaram a subir. De acordo com o diretor do BC, o mercado de LFT demorou mais para reprecificar o movimento e fez isso de forma “abrupta” por ter uma liquidez menor. Questionado sobre a possibilidade de uma atuação do BC na recompra de títulos públicos no mercado secundário, Serra avaliou que essa ação poderia ocorrer em um momento de disfuncionalidade maior. Para ele, isso seria ver “um movimento de forma maciça, numa corrida contra a indústria de fundos”. Na avaliação do dirigente, “disfuncionalidade não é preço baixo ou alto, é um conceito mais amplo”. Ele destacou que a volatilidade excessiva dos mercados não é adequada, mas ressaltou que ela é compreensível neste momento de ajuste grande da percepção das pessoas quanto à questão econômica. Serra afirmou que a autoridade monetária tem disposição para vender reservas, caso isso seja necessário, mas ressaltou que não há o desejo de fazer isso. “Passamos um bom tempo sem vender reservas e, ao longo deste ano, dependendo da necessidade do mercado, atuamos dependendo da necessidade do mercado”, afirmou. O dirigente disse que as reservas têm a função de proteger o país de choques externos e que evitam o mau funcionamento do mercado de câmbio. Questionado, ainda, sobre a inclinação da curva de juros, Serra afirmou que o Brasil está em um período de incertezas e os investidores se questionam sobre as implicações na condução futura da política fiscal, o que tem gerado uma diferença grande entre os juros de curto prazo e as taxas mais longas. “Quando o mercado opera juro longo, coloca riscos de assimetria e de choques importantes. É natural que isso ocorra”, disse. Apesar disso, para o dirigente, o mercado mostra que está disposto a financiar o Brasil no caso de uma agenda clara e que contemple a sustentabilidade da dívida, mesmo que em prazos mais longos. Juros Serra apontou ainda que os riscos altistas, que têm se sobreposto aos baixistas no balanço de riscos da autoridade monetária, vêm das dúvidas quanto ao cenário fiscal e enfatizou que não há uma relação mecânica entre uma possível retirada do “forward guidance” (prescrição futura) e elevações na taxa Selic. “Entendendo que é há um risco que desloca o balanço para uma assimetria, que é algo difícil de se mudar e tendo em mente os limites da política monetária, o BC entendeu que seria apropriado escrever um ‘forward guidance’, que funciona como um contrato com os participantes do mercado”, disse. Serra apontou, ainda, que a prescrição futura permitiu ao BC falar que, “colocando o risco fiscal de lado, vamos focar no cenário base e isso nos indica que será possível ou desejável manter a Selic estável por um período prolongado”. Assim, ao comentar sobre as pressões inflacionárias observadas no curto prazo, o dirigente disse que esses choques têm tido pouco impacto nas expectativas de inflação no horizonte relevante para a política monetária. Serra enfatizou que o BC está em um modelo de metas de inflação e que o “forward guidance” foi um instrumento de comunicação escolhido dentro do arcabouço desse regime de metas. Assim, para ele, não há uma ligação mecânica entre uma possível retirada da ferramenta e elevações de juros. “Há cenários em que o ‘forward guidance’ cai e nada acontece”, afirma.