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É um 'grande dia' para Floyd, diz Trump, causando nova polêmica

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O presidente dos EUA, Donald Trump, passa por uma bandeira dos EUA durante uma visita às instalações da Puritan Medical O presidente dos EUA, Donald Trump, durante uma visita às instalações da Puritan Medical Products em Guilford, Maine, em 5 de junho de 2020

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta sexta-feira (5) que os novos dados sobre emprego marcaram um "grande dia" para George Floyd, o homem cujo assassinato na semana passada provocou protestos violentos em todo o país contra a brutalidade policial dirigida a afro-americanos.

Onze dias após a morte de Floyd, sufocado por um policial branco durante sua prisão em Minneapolis, Trump disse que essa violência não pode ocorrer.

No entanto, declarou: "Espero que George esteja olhando para baixo agora e dizendo que isto é grandioso para o nosso país".

"É um ótimo dia para ele. É um ótimo dia para todos", disse o presidente.

"É um grande dia, um grande dia em termos de igualdade", afirmou, em um momento em que é acusado de não dar nenhuma resposta às mazelas denunciadas pelos manifestantes, em especial sobre o racismo, a desigualdade e a violência policial.

Trump tinha convocado a imprensa para comemorar a redução inesperada do desemprego e dedicou boa parte do discurso a comemorar esta "recuperação" econômica.

Seus comentários sobre George Floyd foram, então, interpretados como uma forma surpreendente de relacionar uma boa notícia econômica com o drama que sacode os Estados Unidos.

A Casa Branca protestou contra o que chamou de uma "falsa" leitura.

"O presidente falava muito claramente da luta por uma justiça equitativa e um tratamento equitativo perante a lei quando fez este comentário", escreveu no Twitter um de seus assessores de comunicação, Bill Williamson.

Pouco antes de fazer o comentário sobre Floy, Trump fez menção ao tema.

"A igualdade perante a lei deve significar que cada americano receba o mesmo tratamento em cada interação com as forças de ordem, qualquer que seja a sua raça, a sua cor, seu sexo ou sua fé. Todos devem ser tratados de forma justa pelas forças de ordem", disse.

- "Francamente desprezível" -

A escolha de falar em nome de Floyd foi fortemente criticada.

"As últimas palavras de George Floyd - 'Não consigo respirar, não consigo respirar' - ressoaram em todo o país", reagiu Joe Biden, o oponente democrata de Donald Trump nas eleições presidenciais de novembro.

"O presidente tentar colocar palavras na boca de George Floyd é totalmente desprezível", acrescentou o ex-vice-presidente em um discurso.

Desde a morte de Floyd em Minneapolis, em 25 de maio, e protestos subsequentes, inicialmente marcados por saques e tumultos em muitas cidades americanas, Trump deu preferência a uma resposta marcial.

Ele se apresentou como presidente da "lei e ordem" e ameaçou enviar o exército para as ruas para reprimir os protestos.

Nesta sexta-feira, ele retomou seu chamado para "dominar as ruas", criticando os governadores estaduais que se recusam a chamar a Guarda Nacional.

Essa postura levou a críticas sem precedentes de ex-chefes do Exército, incluindo o ex-secretário de Defesa, Jim Mattis.

Trump considera que a melhor política para reduzir as desigualdades é favorecer o crescimento econômico e reduzir o desemprego entre os americanos.

Há três anos, ele repete que é o presidente que "mais fez pela comunidade negra desde Abraham Lincoln", que aboliu a escravidão na década de 1860.

O Departamento de Trabalho informou que o país ganhou 2,5 milhões de empregos em maio e a taxa de desemprego caiu para 13,3% após as altas taxas registradas nos meses anteriores, devido à pandemia de coronavírus.

No entanto, o relatório de desemprego divulgado nesta sexta-feira apontou que, para os negros, a desocupação subiu ligeiramente para 16,8%. "Este é um ótimo, ótimo dia em termos de igualdade", disse ele.