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Ásia supera EUA, Brasil e Rússia em ranking de sistemas de saúde

Lee Miller e Wei Lu
·4 minuto de leitura

(Bloomberg) -- Enquanto a pandemia devasta o mundo, economias asiáticas lideradas por Hong Kong e Cingapura ocupam os primeiros lugares em um ranking dos sistemas de saúde mais eficientes.O índice Bloomberg Health-Efficiency, lançado em 2013, monitora a expectativa de vida e gastos com assistência médica para determinar quais sistemas de saúde mostram os melhores resultados. Os números deste ano incluem o impacto da Covid-19 na mortalidade e no PIB em 57 das maiores economias do mundo.

Esses indicadores ajudaram muitos territórios asiáticos a subirem de posição na lista, já que suas respostas geralmente enérgicas contra o coronavírus mantiveram os casos e as mortes relativamente baixos. O Brasil e a Rússia se juntaram aos Estados Unidos no fim da lista, refletindo expectativas de vida relativamente baixas, juntamente com a alta mortalidade de Covid-19 e perspectivas econômicas mais fracas.

“Sistemas de saúde eficientes costumam estar em lugares com recursos naturais limitados e, portanto, priorizam políticas que dependem do potencial das pessoas”, disse Pisonthi Chongtrakul, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Chulalongkorn, em Bangkok.

“O sucesso no combate à Covid-19 ocorreu em locais com órgãos governamentais coordenados e dispostos a permitir que especialistas em saúde tomassem as decisões, o que ajudou a criar clareza nas mensagens ao público”, disse.

Para medir a eficiência durante a pandemia, dois ajustes foram feitos na fórmula de classificação original: a tabela de 2020 inclui a variação de um ano no PIB com base em uma previsão de outubro do Fundo Monetário Internacional, bem como o impacto da Covid-19 em cada economia.

Por exemplo, uma queda de 6% do PIB em 2020 levou a uma subtração de 6 pontos da pontuação total, enquanto um número de mortos ou novos casos confirmados de Covid de 100 mil subtraíram 11,5 pontos.

Os EUA estão entre os 10% com pior classificação sob este método, bem como sob a fórmula usada antes da Covid-19, que simplesmente media os gastos em relação à expectativa de vida. As pontuações baixas da América refletem uma expectativa de vida mediana, os maiores gastos do mundo com assistência médica e o maior número de casos de Covid-19.

Usando a fórmula ajustada para a pandemia, oito dos dez sistemas de saúde mais eficientes do mundo estão na região da Ásia-Pacífico. Cingapura e Hong Kong estão no topo da lista, enquanto Taiwan, Nova Zelândia, Coreia do Sul e Tailândia ultrapassaram muitos territórios com base em suas estatísticas de Covid-19.

“A pandemia destacou o fato de que a saúde econômica depende da saúde pública, que por sua vez depende de gastos públicos adequados em saúde”, disse Poonam Khetrapal Singh, diretora para o Sudeste Asiático da Organização Mundial da Saúde, em relatório de 12 de dezembro.

“Em tempos normais, cada dólar investido em saúde oferece um retorno médio de US$ 2 a US$ 4, que pode ser até 20 vezes mais em países de baixa e média renda”, disse Singh.

As classificações da França, Espanha e Peru foram as que mais caíram entre as 57 economias na pesquisa com fórmula ajustada de 2020 da Bloomberg, que inclui apenas aquelas com expectativa de vida média de pelo menos 70 anos, PIB per capita superior a US$ 5 mil e população mínima de 5 milhões. A Índia não atinge as métricas mínimas, embora esteja entre os países mais afetados pela pandemia.

A China, o território mais populoso do mundo, ficou em 25º lugar usando a fórmula pré-pandemia, mas saltou para a 12ª posição quando os ajustes para a Covid-19 foram incorporados. O epicentro do coronavírus também foi o lugar que usou algumas das medidas mais draconianas - desde o controle da mobilidade das pessoas até o teste obrigatório - para limitar os casos e a mortalidade.

Todas, exceto duas das 57 economias neste índice, deverão encolher em 2020, de acordo com as previsões do Fundo Monetário Internacional: apenas China e Taiwan devem crescer na comparação anual.

A média de vida nos EUA é de 78,5 anos, tendo diminuído por vários anos consecutivos, segundo os dados mais recentes. A média está quase em paridade com a dos Emirados Árabes Unidos e Cuba, onde o gasto per capita com saúde é inferior a um décimo dos US$ 10.246 nos EUA. Apenas os gastos de US$ 9.956 da Suíça estão próximos, mas o suíço médio vive cinco anos a mais do que os americanos.

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