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Área desmatada da Amazônia em maio corresponde à cidade do Rio de Janeiro, mostra Imazon

·3 minuto de leitura

RIO — Quase toda a cidade do Rio de Janeiro desmatada. Um levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), divulgado nesta quarta-feira, mostra que foram detectados 1.125 km² de desmatamento na Amazônia Legal em maio deste ano. A área corresponde quase ao tamanho do município do Rio. O número é também o maior da série histórica para o mês dos últimos dez anos, segundo o Imazon.

Os dados mostram que é a terceira vez consecutiva que o desmatamento bateu recorde em dez anos. Os meses de março e abril também registraram os piores índices desde 2012.

A área desmatada em maio deste ano foi 70% superior ao total devastado no mesmo período de 2020, que foi de 660 km2.

O monitoramento na região da Amazônia Legal é feito pelo Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), desenvolvido pelo Imazon e que utiliza imagens de satélites (incluindo radar) para monitorar a floresta.

Os dados do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados na última sexta-feira, têm números ainda maiores. Mostram maio como o pior mês dos últimos cinco anos na Amazônia, com desmatamento de 1.391 km², um aumento de 67% em relação ao ano passado. Ambos os sistemas, do Imazon e do Inpe, indicam uma tendência de crescimento.

Pesquisador do Imazon, Antônio Fonseca avalia que esse ritmo de aumento do desmatamento, que começou em 2012 e tem se intensificado nos últimos anos, com destaque nos últimos meses de março e abril, é preocupante devido ao período no qual ocorre:

— Isso é bastante significativo, principalmente porque está ocorrendo no período chuvoso na região amazônica, que, historicamente, tem tendência de ter áreas desmatadas bem menores comparando com o verão amazônico.

Isso porque no período chuvoso, o acesso à floresta é mais difícil, explica Fonseca.

O SAD, do Imazon, mostra também que Pará e Amazonas foram, respectivamente, os estados que mais desmataram. Juntos, eles somaram 688 km² de desmatamento em maio, o que corresponde a 60% do total detectado na região amazônica. A área equivale ao tamanho da cidade de Salvador.

As cidades paraenses Altamira, São Félix do Xingu, Novo Progresso e Itaituba estão no topo do ranking das que mais desmataram em maio no estado, que registrou ainda seis das dez unidades de conservação e cinco das dez terras indígenas onde foram detectadas as maiores áreas desmatadas.

Já no Amazonas, as cidades de Lábrea, Apuí e Novo Aripuanã figuram no ranking dos dez municípios onde foram registradas as maiores destruições da floresta. Seis dos dez assentamentos que mais registraram florestas desmatadas também estão no estado.

O terceiro estado que mais desmatou em maio foi o Mato Grosso (20%), seguido de Rondônia (12%), Acre (4%), Maranhão (3%) e Roraima (1%).

O calendário do desmatamento 2021 começou em agosto de 2020 e vai até agosto deste ano. Fonseca explica que, faltando dois meses para fechar o ciclo, já há um aumento em relação aos 12 meses do calendário anterior.

— Quando olhamos o acumulado nesse período de dez meses (julho a maio), o desmatamento já é superior em 14% em relação aos 12 meses do calendário anterior, e ainda faltam junho e julho para fechar o ciclo, meses que são críticos — ressalta. — É preocupante se não houver ações efetivas de comando e controle, fiscalização, aplicação de punições, multa, embargo, enfim, ações efetivas que sinalizem que esse desmatamento ilegal não vai ser tolerado. É preciso uma agenda ambiental.

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