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Às vésperas de cúpula de Biden, China cobra EUA e busca ampliar cooperação com Europa

RAFAEL BALAGO
·5 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A China deu dois passos nesta sexta-feira (16) para marcar sua posição no combate às mudanças climáticas. Xi Jinping se reuniu com os líderes de França e Alemanha, enquanto o Ministério das Relações Exteriores chinês cobrou os EUA a tomarem medidas mais amplas para compensar a falta de ações nos últimos anos. Os movimentos ocorrem poucos dias antes da Cúpula do Clima convocada pelo presidente americano, o democrata Joe Biden, marcada para os dias 22 e 23 de abril. O líder da ditadura chinesa conversou, por vídeo, com o presidente da França, Emmanuel Macron, e com a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel. O dirigente disse que a China está pronta para ampliar sua cooperação com os países europeus em questões ambientais e defendeu que o tema não seja politizado. "Responder às mudanças climáticas é uma causa comum para toda a humanidade e não deve se tornar uma moeda de troca geopolítica, um alvo de ataques de outros países ou uma desculpa para barreiras comerciais", disse Xi, segundo a agência estatal Xinhua. O Parlamento Europeu aprovou em março uma resolução para debater um imposto relacionado às emissões de carbono para produtos vindos de fora da União Europeia. Se for criada de fato, essa taxação penalizaria as importações de países de fora do bloco, o que dificultaria o comércio com a China. Xi também falou em manter o engajamento na cooperação ambiental Sul-Sul, que busca a aproximação com países da África e da América Latina, e que seu governo está disposto a ajudar a acelerar a vacinação contra a Covid-19 no mundo. Em nota após o encontro, Macron e Merkel disseram apoiar os planos de Pequim para reduzir as emissões de poluentes, mas que esperam a adoção de objetivos mais ambiciosos para frear as emissões de CO2. Também nesta sexta, Lijian Zhao, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, disse a repórteres que os americanos têm culpa no atraso do cumprimento das metas ambientais globais, pactuadas no Acordo Climático de Paris, em 2015. "As autoridades dos EUA não devem se esquecer da saída [do país sob Donald Trump] do Acordo de Paris, em 2017. Seu retorno não é, de forma alguma, uma volta gloriosa, mas, sim, a volta de um estudante que faltava às aulas. Ainda tem de mostrar como compensará [o que não fez] nos últimos quatro anos", disse. "Na governança ambiental global, há quem está contribuindo com ações concretas e quem busca interesses egoístas. O mundo tem tirado suas conclusões. Esperamos que os EUA encontrem seu lugar e voltem a cumprir a lei internacional e [exercer] o multilateralismo", acrescentou o porta-voz. Lijian deu as declarações após um repórter pedir que ele comentasse uma crítica, atribuída a um funcionário americano não identificado, de que a China não estaria fazendo o suficiente para reduzir suas emissões. A declaração do porta-voz ecoou a posição expressada em editorial na última quarta (14) pelo jornal Global Times, ligado ao Partido Comunista Chinês. "Os Estados Unidos não têm autoridade moral ou poder real para dar ordens à China em questões ambientais", afirma o texto. A saída do Acordo de Paris foi uma decisão do ex-presidente Donald Trump, para quem a redução das emissões prejudicaria a economia americana. Os EUA voltaram ao pacto em janeiro deste ano, no primeiro dia do governo de Biden, que colocou o combate às mudanças climáticas como uma de suas prioridades. Biden convocou uma cúpula sobre o clima com a presença de líderes de 40 países. A lista de convidados inclui Xi, Macron, Merkel e o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (sem partido), mas ainda não há confirmação se o chinês de fato irá participar do encontro. A Casa Branca propõe aos participantes que, durante o evento, anunciem novos objetivos na área ambiental —e que eles sejam mais ambiciosos. A expectativa é a de que os EUA se comprometam com uma nova meta de redução de emissões de carbono para 2030, que poderá ser o dobro da anterior. O Brasil discursará na sessão de abertura, assim como a China. Cada representante terá três minutos para se pronunciar. O presidente americano considera essa reunião de abril um caminho preparatório para a Conferência do Clima das Nações Unidas (ONU), a COP26, marcada para novembro, em Glasgow, na Escócia. O esforço das cúpulas é catalisar o trabalho conjunto dos países para conter o aquecimento global a um limite de 1,5 °C. Assim, Biden quer mobilizar financiamento público e privado para impulsionar a transição energética internacional e ajudar nações vulneráveis a lidar com impactos climáticos. A China é atualmente o maior gerador de gases do efeito estufa. No ano passado, Xi anunciou que o país planeja começar a reduzir suas emissões antes de 2030 e, depois, atingir a neutralidade na liberação de carbono até 2060. Os EUA são a segunda nação mais poluente do planeta. A conversa com os líderes europeus e as declarações do porta-voz ocorreram ao mesmo tempo que John Kerry, assessor especial para o clima do governo dos EUA, está em Xangai para reuniões com Xie Zhenhua —responsável pelas negociações chinesas durante o Acordo de Paris e que neste ano deixou a aposentadoria para se tornar o principal conselheiro de Xi em questões ambientais. Essa é a primeira visita de uma autoridade de primeiro escalão da gestão Biden ao país asiático. Apesar das diferenças entre os governos em diversos assuntos, Kerry afirmou que as duas potências podem chegar a algum tipo de consenso na área ambiental. "Nós temos muitas desavenças com a China, com certeza. Mas o clima tem que ser uma coisa a parte", disse ele à rede de TV CNN antes de embarcar. "Se não [fizermos isso], nós estaremos prejudicando nosso próprio povo." Um estudo publicado nesta semana pelo Instituto de Estudos Internacionais de Xangai, porém, apontou exatamente o contrário do desejado por Kerry. Segundo o artigo, as atuais tensões entre Washington e Pequim em outras áreas —incluindo a corrida pela tecnologia 5G e as desavenças sobre o futuro de Taiwan e de Hong Kong— já contaminaram as discussões ambientais e é pouco provável que os dois lados consigam negociar alguma coisa sobre o tema no curto prazo.