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À espera da decisão do Copom, juros futuros fecham em queda

Lucas Hirata

A taxa do DI para janeiro de 2021 recuou a 2,09%, ante 2,10% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2023 foi a 4,10%, de 4,19% no ajuste anterior Faltando poucas horas para a decisão de política monetária do Banco Central, o mercado de juros futuros revela uma posição bastante clara dos investidores que esperam novos cortes na taxa básica, a Selic, nesta quarta-feira (17). A redução de 0,75 ponto percentual, de 3,00% para 2,25%, é dada quase como certa no mercado, enquanto há precificação de mais um ajuste, com magnitude menor, em agosto.

De acordo com cálculos da Haitong, o mercado de juros futuros projeta redução de 0,68 ponto percentual da Selic nesta quarta-feira, quando o Copom anunciar sua decisão de política monetária. E para agosto, embute corte de 0,27 ponto percentual. Ou seja, a expectativa é que o Copom continue a dar estímulos a economia, mesmo depois de ter sinalizado em maio que faria um último ajuste na reunião de junho.

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do DI para janeiro de 2021 recuou a 2,09% ante 2,10% no ajuste anterior, enquanto a do DI para janeiro de 2022 foi a 3,03% (3,08% no ajuste anterior) e o juro do DI para janeiro de 2023 anotou 4,10% (4,19% no ajuste anterior). Entre os vencimentos mais longos, que aceleraram a queda durante a tarde, o DI para janeiro de 2025 recuou a 5,66% (de 5,77% no ajuste anterior) e o DI janeiro para 2027 anotou 6,63%% (6,74% no ajuste anterior).

Hoje, a decisão do Copom de reduzir a Selic de 3,00% para 2,25% é dada praticamente como certo no mercado. O que os investidores mais aguardam é o conteúdo do comunicado que acompanha o anúncio, que deve conter sinais sobre os próximos passos da autoridade monetária. Para boa parte dos analistas, a autoridade monetária pode indicar uma pausa no processo de afrouxamento, conforme apontado anteriormente em maio, mas sem fechar as portas para futuros movimentos.

Para Flavio Serrano, economista-chefe do Haitong, o Copom poderia manter a sinalização de pausa no ciclo de corte de juros, mas colocando alguma condicionalidade para novos ajustes, com cautela e parcimônia.

“Não fecha nem abre totalmente as portas para novos cortes. Acho que isso já seria mais 'hawk' [favorável a uma política mais restritiva] em relação ao que o mercado espera”, explica o profissional. Caso o Copom siga essa linha, é bem possível que os juros futuros enfrentem algum ajuste amanhã, mas é difícil pensar que o mercado deixará de precificar algum corte dada a situação atual de quebra da atividade, inflação baixa e aumento do hiato do produto.

Já os analistas do Itaú Asset acreditam que “não só a porta ficará aberta para novos cortes, como veremos a taxa básica de juros atingir 1,5% ao ano ao final desse ciclo de cortes”. Mais agressiva que de boa parte dos analistas, a percepção na gestora é sustentada pelo ambiente internacional mais benigno, refletido em taxa de câmbio em patamar mais apreciado e com menos volatilidade. Além disso, “os dados de atividade fracos e inflação baixa já sugerem um espaço significativo de queda de juros, na ordem de 220 pontos base adicionais”, acrescentam.

“Ou seja, pelo próprio modelo do Banco Central, a taxa de juros poderia atingir algo como 0,75% ao ano. Essa leitura inclusive coloca um risco de que os cortes de juros sejam mais agressivos à frente. Logo, nos parece um erro fechar a porta em vista desse cenário de espaço tão amplo para cortes”, concluem.