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    Voto evangélico racha no Rio, e isolamento da Universal e fake news viram armas

    RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Contra Marcelo Freixo (PSOL), era moleza. Se em 2016 a campanha de Marcelo Crivella (Republicanos) à Prefeitura do Rio de Janeiro enxameou de líderes evangélicos temerosos com uma vitória da esquerda, neste ano o alinhamento é menos automático do que ele gostaria. As credenciais religiosas do prefeito, que é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus e sobrinho do bispo Edir Macedo, inclusive são usadas contra ele para dissuadir o segmento evangélico a votar pela sua reeleição. Isso porque a Universal é tida como ilha isolada no bloco cristão, e evangélicos ladeados com seu oponente, Eduardo Paes (DEM), têm lhe recomendado explorar esse ponto. O deputado federal Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) diz que orienta o ex-prefeito a "nunca falar contra a igreja, porque igreja é intocável", mas focar em potenciais pontos fracos de Macedo perante o eleitorado cristão. "Ele tem que atacar, por exemplo, o bispo Macedo, que já declarou ser favorável ao aborto! É o único grande líder evangélico que é a favor", afirma o membro da bancada evangélica. Seu sobrinho é contra, mas Macedo já defendeu em mais de uma ocasião a descriminalização do aborto. Em 2007, lamentou em entrevista à Folha que mulheres perdessem a vida "em clínicas de fundo de quintal" e questionou o que era "menos doloroso", se abortar ou ter "crianças vivendo como camundongos nos lixões de nossas cidades". Sóstenes Cavalcante é aliado do pastor Silas Malafaia, presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo e um dos nomes fortes do nicho evangélico carioca. Malafaia apoiou Paes em 2012, Crivella em 2016 e agora diz se manter neutro no segundo turno, por ser amigo dos dois. Seu irmão Samuel Malafaia (DEM), deputado estadual, endossa o ex-prefeito, e Silas guerreou com a Universal recentemente: ela "faz jogo estratégico nojento", disse sobre o apoio da igreja à indicação de Kassio Nunes ao STF (Supremo Tribunal Federal) pelo presidente Jair Bolsonaro. A estratégia é reforçar o vínculo de Crivella à denominação de Macedo também porque ela "sempre é isolada do segmento", diz Cavalcante. "Normalmente eles só querem união dos evangélicos em período eleitoral. Passou a eleição, eventos tipo Marcha pra Jesus, todos nós nos unimos, a Universal, nunca!" Outro líder de peso que não abriu voto abertamente, o que é visto como vantagem para Paes, é Abner Ferreira, presidente do Ministério Madureira, um dos maiores galhos da Assembleia de Deus, por sua vez o maior ramo evangélico do país. Ele é filho do ex-deputado e bispo primaz da Madureira, Manoel Ferreira, ex-apoiador de Luiz Inácio Lula da Silva que em 2018 abonou Bolsonaro. Em abril, o deputado federal bolsonarista Otoni de Paula (PSC-RJ) compartilhou vídeo em que Abner critica Wilson Witzel, hoje afastado do Governo do Rio, e Crivella. "Você tá pensando que vamos deixar de apoiar Bolsonaro por causa desses problemas que estão acontecendo no Brasil, você tá muito enganado, pode tirar o cavalinho da chuva." Foi uma "questão pontual", segundo Otoni, por causa do fechamento de igrejas mesmo com o decreto presidencial inserindo-as como atividade essencial na pandemia. O prefeito depois usou a ordem de Bolsonaro para justificar o funcionamento dos templos em meio ao "lockdown". Otoni se aliou a Crivella e aparece em gravação compartilhada pelo candidato. "Os verdadeiros amigos de Eduardo Paes vão mostrando a cara", afirma o deputado. Refere-se a Freixo defender um "voto crítico" em Paes como forma de impedir a recondução do rival ao cargo. O apoio desconfiado do PSOL serviu de matéria-prima para um panfleto com fake news sobre Paes distribuído na porta de uma unidade da Universal. Uma das pessoas que entregou o material, Márcio Giglio Pimenta, é administrador regional da Ilha do Governador, bairro na zona norte carioca onde fica aquele templo. O conteúdo: "Eduardo Paes e seus amigos defendem legalização do aborto, liberação das drogas, kit gays nas escolas". Ao lado do ex-prefeito, uma imagem de Freixo. Abaixo, a foto de Crivella e sua vice, Andréa Firmo. A prefeitura diz que o funcionário está de férias e tem liberdade constitucional para se manifestar. Outro flanco usado contra Paes entre evangélicos: boêmio, ele prometeu "a maior festa de Carnaval que o planeta Terra já assistiu" assim que sair a vacina da Covid-19. Tanto entusiasmo por uma festa considerada profana por muitos evangélicos pegou mal. Ainda que com o front evangélico esburacado, Crivella tem a predileção de 46% desse eleitorado, contra 29% de Paes. O resto se divide entre quem pretende anular (23%) e indecisos (2%), segundo pesquisa Datafolha feita nos dias 18 e 19 de novembro. O bispo licenciado da Universal tem dois tios entre os grandes pastores que o apoiam: Edir Macedo e seu cunhado R.R. Soares, o missionário da Igreja Internacional da Graça de Deus. "Não vá nessa conversa da mídia, não, que eles estão fazendo tudo para subverter aquilo que o povo já escolheu", diz Soares em vídeo divulgado pela campanha do prefeito. "Posso contar com você e com seus amigos?" Em fevereiro, outra imagem que viralizou entre evangélicos: Bolsonaro dançando com Crivella em evento gospel do missionário, o Show da Fé.

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