Mercado fechado
  • BOVESPA

    106.399,07
    -1.335,94 (-1,24%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    51.867,71
    -152,34 (-0,29%)
     
  • PETROLEO CRU

    84,10
    +1,60 (+1,94%)
     
  • OURO

    1.794,70
    +12,80 (+0,72%)
     
  • BTC-USD

    60.934,85
    -1.639,92 (-2,62%)
     
  • CMC Crypto 200

    1.455,63
    -47,41 (-3,15%)
     
  • S&P500

    4.544,90
    -4,88 (-0,11%)
     
  • DOW JONES

    35.677,02
    +73,94 (+0,21%)
     
  • FTSE

    7.204,55
    +14,25 (+0,20%)
     
  • HANG SENG

    26.126,93
    +109,40 (+0,42%)
     
  • NIKKEI

    28.804,85
    +96,27 (+0,34%)
     
  • NASDAQ

    15.331,00
    -147,75 (-0,95%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,5580
    -0,0230 (-0,35%)
     

Rede Céus Estrelados do Brasil é lançada no combate à poluição luminosa

·7 minuto de leitura

Poluição luminosa é toda luz artificial usada de maneira excessiva ou inadequada, que deixa o céu noturno menos escuro. O que poucos sabem, talvez, é que este excesso de luz causa efeitos negativos não apenas para a observação astronômica, como também à saúde humana, além de interferir na dinâmica dos ecossistemas. Com o objetivo de potencializar e ampliar esforços no combate à poluição luminosa, a Rede Céus Estrelados do Brasil (CEB) foi lançada neste mês e já reúne cerca de 70 membros de 11 estados e do Distrito Federal.

Em meio à pandemia de COVID-19, parte da atual equipe da CEB se reuniu remotamente para articular uma estratégia de combate a um tema que ainda é pouco conhecido no Brasil — assim, surgiu a rede. Através de reuniões periódicas, a CEB realiza formação continuada para seus participantes e trabalha na delimitação de especificações técnicas para adequação da iluminação artificial. Além disso, a frente atua na defesa da aplicação de legislações à preservação do patrimônio natural e à criação de legislações e certificados de céus escuros.

(Imagem: Reprodução/Flickr/Kees Scherer)
(Imagem: Reprodução/Flickr/Kees Scherer)

Segundo as pesquisas mais recentes sobre a taxa de poluição luminosa global, estima-se que 83% da população mundial vive em regiões com excesso de luz artificial. Só no Brasil, cerca de 62,5% dos brasileiros vivem em locais onde o céu iluminado pelas luzes artificiais as impede de enxergar a bela faixa luminosa da Via Láctea. Em 32,3% desses casos, a iluminação é tanta que impossibilita a adaptação do olho humano ao ambiente noturno. Por isso, a CEB busca mitigar este problema em todas as suas esferas, como fomentar o poder público para a elaboração de medidas que empregam o uso racional da luz artificial.

No momento, existem dois Projetos de Lei (PL) em andamento na Câmara dos Deputados que abordam essa ponto. O primeiro, é o PL 1975/2021, que ressalta a necessidade de proteger, por exemplo, as Unidades de Conservação da grande incidência de poluição luminosa e também prevê a emissão de certificação nacional, como uma forma de promover o astroturismo no Brasil. Já o segundo projeto, o PL 1400/2021, busca alterar a lei de crimes ambientais ao incluir a poluição luminosa como crime ambiental. A CEB acredita que estas duas propostas resultem em avanços ao combate a este problema no país. De todo modo, a semente da informação foi plantada.

A poluição luminosa é nociva

Como diz o ditado popular: “tudo em excesso faz mal”. Com a luz, não seria diferente. Toda iluminação artificial gerada além do necessário se enquadra como poluição luminosa. Normalmente, ela é o resultado da aplicação da luz artificial emitida acima da linha do horizonte, de modo que esta iluminação extrapola a área local. Este excesso, aumenta o brilho de fundo do céu e um efeito direto é o “apagamento” das estrelas, reduzindo a contemplação de objetos celestes e, consequentemente, o que poderia ser construído como conhecimento científico e cultural ligados ao céu noturno. No entanto, esta é apenas a ponta do iceberg.

(Imagem: Light Pollution Map/Captura de tela)
(Imagem: Light Pollution Map/Captura de tela)

Ainda, o excesso de luz altera o ciclo natural das plantas e animais, o que coloca em risco a biodiversidade. No corpo humano, a poluição luminosa provoca a modificação na produção do hormônio melatonina, responsável por regular o ciclo circadiano (o chamado "relógio biológico"). E não para por aqui, pois a iluminação artificial tem sido associada ao aumento do surgimento e à aceleração de alguns tipos de câncer, casos de diabetes, depressão e, inclusive, da degeneração da retina humana.

A poluição luminosa também significa desperdício dos recursos naturais e financeiros do país. Em meio a uma crise hídrica e energética pela qual o Brasil atravessa (e há meses mantém a conta de luz na bandeira vermelha), o uso excessivo da luz artificial alimenta ainda mais este cenário e também o aquecimento global. Ao poluir o céu noturno com o excesso de luz, municípios e parques são privados de gerar renda local através do astroturismo (ou turismo "dark sky").

A boa notícia é que, ao contrário de outros tipos de poluição, como a do solo ou lençóis freáticos, a poluição luminosa não precisa de complexos modelos de reparação. Só o uso adequado da luz artificial já reduziria este excesso. Para isto, é necessário o uso de lâmpadas que atendam às especificações de determinado local — seja em casa ou na iluminação pública. O caminho pode ser longo, mas, agora, a Rede Céus Estrelados do Brasil planta uma semente de esperança.

O turismo “Dark Sky”

Fundada em 1988, a International Dark-Sky Association (IDA) é uma organização sem fins lucrativos estabelecida nos EUA que tem trabalhado no reconhecimento de parques públicos e reservas pelo mundo com o mínimo de poluição luminosa possível. Boa parte desses locais é aberto para campistas e alguns até oferecem alojamento para os que querem passar uma noite inteira contemplando a beleza do céu noturno, já que os grandes centros urbanos não permitem essa experiência.

Parque Nacional de Grande Teton (Imagem: Reprodução/NatGeo/Raul Touzon)
Parque Nacional de Grande Teton (Imagem: Reprodução/NatGeo/Raul Touzon)

Atualmente, os EUA têm mais de 60 parques, comunidades e reservas Dark Sky, mas, desse total, apenas 12 são certificados pela IDA. Entre eles destacam-se: Grand Canyon, Mesa Verde, Joshua Tree, Vale da Morte e os Parques Nacional de Big Bend. John Barentine, diretor de conservação da IDA, explica que “o aumento da poluição luminosa pelo mundo inteiro está agora mais firmemente ligado ao declínio de espécies de insetos polinizadores e aves migratórias, que desempenham papéis críticos nos ecossistemas saudáveis”.

Quão escuro é o céu? Conheça a Escala de Bortle

Pensando em auxiliar os observadores do céu noturno em seu julgamento sobre a verdadeira escuridão (ou não) de um céu local, o astrônomo amador John E. Bortle criou a famosa Escala de Bortle, a qual estabelece nove níveis de poluição luminosa. A escala foi baseada em quase 50 anos de experiências de Bortle em observações astronômicas.

(Imagem: Reprodução/ALMA Observatory)
(Imagem: Reprodução/ALMA Observatory)
  • Classe 1, o excelente céu escuro: nesse nível, é possível contemplar a faixa luminosa da Via Láctea e até mesmo a galáxia de Andrômeda (M33) pode ser vista a olho nu — onde a magnitude limite é de 7,6 a 8,0;

  • Classe 2, o típico céu escuro: aqui, apesar de escuro, a luminescência atmosférica é levemente percebida pelos olhos. Mesmo assim, é possível enxergar a Via Láctea e a galáxia M33 — aqui, o limite de magnitude fica entre 7,1 a 7,5;

  • Classe 3, o céu rural: aqui, a poluição luminosa começa a ser mais evidente próxima ao horizonte e as nuvens podem eventualmente ficar levemente iluminadas, mas ainda é possível observar um céu escuro, bem como a Via Láctea e outros objetos como aglomerados globulares — o limite de magnitude a olho nu fica entre 6,6 e 7;

  • Classe 4, o céu em transição rural/suburbana: nesse nível de poluição luminosa, as luzes das cidades começam a ofuscar o céu noturno e a Via Láctea já não pode mais ser contemplada com tantos detalhes. A olho nu, só enxergamos objetos com magnitude entre 6,1 e 6,5;

  • Classe 5, o céu suburbano: a Via Láctea já aparece muito fraca ou desbotada próxima ao horizonte e as fontes de luz artificial são presentes em quase todas as direções. As nuvens começam a ser mais brilhantes do que as próprias estrelas. O limite de magnitude a olho nu fica entre 5,6 a 6;

  • Classe 6, o céu suburbano brilhante: qualquer traço da Via Láctea só pode ser contemplado em direção ao zênite — isto é, quando ela está bem acima de nossas cabeças. Qualquer nuvem já fica bem brilhante e é impossível observar a M33. A olho nu, a magnitude limite fica em 5,5;

  • Classe 7, transição suburbana/urbana: o fundo do céu aparece completamente com uma tonalidade levemente acinzentada e as fontes de luz são bem mais evidentes em qualquer direção. A Via Láctea é quase totalmente invisível. Com muito esforço, a magnitude limite a olho nu é de 5,0;

  • Classe 8, o céu urbano: aqui o céu noturno já aparece bem mais acinzentado/alaranjado/avermelhado. É tanto brilho refletido pelo céu que um livro pode ser lido à noite sem muito esforço. Nesse nível, até mesmo as constelações começam a ser ofuscadas. No melhor dos cenários, a olho nu só é possível ver objetos com magnitude de 4,2;

  • Classe 9, o céu no centro da cidade: aqui nem o zênite está protegido. Muitas estrelas que caracterizam as constelações já são invisíveis e só planetas ou a Lua podem ser vistos a olho nu — ou qualquer objeto de magnitude 4 (ou menos).

Para mais informações do movimento em combate à poluição luminosa, basta acessar a Rede Céus Estrelados do Brasil.

Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech:

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos