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Netflix perde R$ 249 bilhões após queda no número de assinantes

Para recuperar assinantes, Netlix estuda planos mais baratos, porém com anúncios (Chris Delmas/AFP)
Para recuperar assinantes, Netlix estuda planos mais baratos, porém com anúncios (Chris Delmas/AFP)
  • Ao invés de perder, Netflix projetava um aumento de 2,5 milhões de assinantes;

  • Empresa busca alternativas para retornar crescimento de assinantes;

  • Essa foi a maior perda diária da empresa em mais de uma década.

Apenas um dia após revelar ter perdido 200 mil assinantes no trimestre passado e a perspectiva de perder mais 2 milhões no atual, as ações da Netflix derreteram na bolsa de Nova York. O serviço de streaming registrou uma queda de 35% nas negociações na quarta-feira (20) e viu evaporar nada menos que R$ 249 bilhões (US$ 54 bilhões) em seu valor de mercado.

O tombo das ações representou a maior perda diária da empresa em mais de uma década, segundo a agência Reuters. E a queda da Netflix respingou em outras empresas do ramo, com as ações de Walt Disney, Roku e Warner Bros Discovery, também ligadas ao streaming, caindo mais de 5,5% cada.

William Ackman, bilionário que comprou mais de 3 milhões de ações da Netflix em janeiro, revelou ter vendido toda sua participação com prejuízo. Em uma carta aos investidores, ele assumiu uma perda de cerca de R$ 1,8 bilhão (US$ 400 milhões).

Um dos principais pontos de preocupação dos investidores foi o fato de que a empresa esperava, na verdade, um crescimento de 2,5 milhões de usuários nesse período.

Segundo a Netflix, um dos principais motivos pelo qual o serviço de streaming não foi capaz de atingir a meta foi a suspensão de suas atividades da Rússia como forma de boicote à invasão na Ucrânia. A companhia teria perdido cerca de 2 milhões de assinantes somente com esta ação.

"A suspensão de nosso serviço na Rússia e a diminuição progressiva do número de assinantes pagos russos levou a uma perda bruta de 700.000 assinaturas. Sem este impacto, teríamos 500.000 assinantes adicionais" em relação ao último trimestre de 2021, informou a empresa em comunicado.

Estratégia para crescimento

Para tentar recuperar os usuários que perdeu e se livrar de uma possível crise, a empresa já anunciou que estuda a possibilidade de lançar um plano mais barato, porém com a inclusão de anúncios. Reed Hastings, cofundador e co-CEO da empresa, disse que a Netflix está “bastante aberta a oferecer preços ainda mais baixos com publicidade, como uma escolha do consumidor".

Ele ainda admitiu que a plataforma tem sido "contra a complexidade da publicidade e uma grande fã da simplicidade da assinatura". Ele acrescentou, no entanto, que a empresa analisa uma opção de assinatura mais barata em com anúncios e deve surgir com uma solução "nos próximos um ou dois anos".

A empresa faturou 7,9 bilhões de dólares no primeiro trimestre do ano, 10% mais que no mesmo período do ano passado, em particular graças aos aumentos do número de assinantes em 12 meses (+6,7%) e do valor de seu serviço.

O lucro foi de 1,6 bilhão de dólares, abaixo do valor do primeiro trimestre de 2021 (1,7 bilhão).