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Gasolina mais barata beneficia mais a classe média do que pobres e ricos

Preços ao consumidor caíram 0,83% para a classe média em julho (Getty Images)
Preços ao consumidor caíram 0,83% para a classe média em julho

(Getty Images)

  • Classe média foi a maior beneficiada com os cortes nos preços da gasolina;

  • Pobres são mais impactados pelas altas nos alimentos;

  • Ricos sofrem mais com os transportes mais caros, incluindo passagens aéreas.

A classe média brasileira foi a grande beneficiada pela queda de preço da gasolina, estimulada pelos cortes de impostos que incidem sobre o combustível. Em contrapartida, os pobres sofrem mais com o aumento nos preços dos alimentos e, os ricos, com as passagens aéreas mais caras.

Os preços ao consumidor caíram 0,83% para a classe média em julho, ao passo que os mais pobres experimentaram uma queda mais modesta, de 0,34%. Os mais ricos ficaram no meio, com recuo de 0,42%. A queda mensal registrada pelo IPCA foi de 0,68%, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) – menor que a da classe média.

Entretanto, o alívio pode ser temporário, já que os impostos devem aumentar em 2023. Os benefícios aprovados pela PEC Eleitoral, como aumento do Auxílio Brasil para os mais pobres, também estão previstos para durarem somente até o final deste ano.

Diferença entre classes

Apesar da queda nos preços da gasolina, também motivada pelos reajustes às distribuidoras, o combustível acumula alta de 14,24% neste ano. Entretanto, o que mais prejudica os mais pobres é o aumento nos preços dos alimentos básicos, que consomem, em média, 29% do orçamento das famílias.

No ano passado, o leite se tornou 25% mais caro, além do ovo e do pão, cujos preços saltaram 19% e 17%, respectivamente. Desde 2019, ano de início do governo Bolsonaro, óleo de soja, feijão carioca e batata inglesa passaram a custar mais que o dobro do preço antigo, sendo que o líder do ranking ultrapassou os 183% de aumento.

Por outro lado, os mais ricos gastam apenas 13% do orçamento com alimentação. O vilão do bolso é o custo com transportes, que respondem por 28% da renda das classes mais altas – e 14% das mais pobres. Dentre eles, está a passagem de avião, que ficou 122,4% mais cara nos 12 meses encerrados em junho de 2022.