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Crítica | Bridgerton é puro romance de época água com açúcar

Natalie Rosa
·4 minuto de leitura

Imagine só se o único problema da sua vida fosse arranjar alguém decente para casar, mantendo as aparências e "bons" costumes da sua família? É exatamente essa a premissa da nova série da Netflix, Bridgerton, que acaba de estrear na plataforma de streaming. Criada por Shonda Rhimes, já conhecida por tramas como Grey's Anatomy e Scandal, a nova produção de romance é a adaptação de uma série de livros de época de Julia Quinn, que agora toma conta da lista de lançamentos mais assistidos na virada do ano.

Bridgerton é uma história que se passa há alguns 100 anos, e adapta os problemas da aristocracia com elementos de contos de fada, contando com príncipes e duquesas, e uma pegada de cultura pop, com músicas atuais adaptadas para a música clássica. A trama traz uma história de romance que, em oito episódios fala sobre orgulho, traição e idealização da vida perfeita. Além disso, a Netflix conseguiu trazer a uma trama antiga uma diversidade fora do padrão que já estamos familiarizados, sendo este o grande mérito do lançamento.

<em>Imagem: Divulgação/Netflix</em>
Imagem: Divulgação/Netflix

Atenção: esta crítica pode conter spoilers de Bridgerton!

A história da série acontece em volta da protagonista, a personagem Daphne Bridgerton, interpretada por Phoebe Dynevor, a próxima jovem da família Bridgerton a buscar por um marido. Para conseguir isso, são feitos bailes constantes da alta sociedade em temporadas, para que os homens se apresentem às jovens solteiras e suas famílias, e eventualmente façam um pedido de casamento, decidindo seus futuros de forma burocrática antes mesmo de existir qualquer sentimento.

Enquanto Daphne tenta encontrar o seu grande amor, do outro lado está Simon Basset (Regé-Jean Page), um jovem também de família rica e bem vista, mas que não quer se casar e nem ter filhos para não dar continuidade a sua linhagem, uma vez que sofreu pelo desprezo do pai desde criança. É claro que as vidas dos dois iriam se entrelaçar, formando o grande relacionamento amoroso central da série, mesmo que o casal não apresente aquela "química" de novela, nem mesmo nas cenas de sexo extremamente sensuais e elaboradas. Bridgerton é romance puro, seja na vida de Daphne ou na de outras famílias, e a série acaba não acrescentando mais do que este fator de entretenimento, que fantasia um relacionamento perfeito de um casal após algumas adversidades.

<em>Imagem: Divulgação/Netflix</em>
Imagem: Divulgação/Netflix

Porém, uma característica da trama acaba fazendo com que essa premissa de romance não seja tão desinteressante. No melhor estilo Gossip Girl, que em 2021 vai ganhar uma sequência, a série conta com a misteriosa personagem Lady Whistledown, que regularmente distribui entre a população um pequeno jornal impresso com as melhores fofocas da região. Esses comentários, inclusive, por mais que alguns finjam não ligar, influenciam diretamente nos comportamentos dessas pessoas que apenas querem ser bem vistas e fugir de escândalos. Até mesmo a narração de Bridgerton com o conteúdo do jornal de Lady Whistledown lembra bastante a série que fez sucesso há quase 10 anos, trazendo um pouco de leveza e humor à trama.

A nova série da Netflix acerta ainda na diversidade, trazendo minorias para a alta sociedade antiga, algo que na vida real seria impensável, fazendo com que todos convivam por igual, sem racismo ou preconceitos mais pesados escancarados. A rainha, por exemplo, é uma mulher negra, assim como outros membros da corte e aristocracia, e não vemos em nenhum momento o racismo, talvez a maior falha da nossa sociedade, aparecendo na história, sendo como se não tivesse existido. Este tipo de licença transforma a série em algo único, principalmente por se tratar de tempos antigos e tão difíceis e que nós sabemos que existia. O interessante de criar uma obra fictícia é poder explorar não só os fatos, como também se aventurar nas idealizações de um mundo melhor.

<em>Imagem: Divulgação/Netflix</em>
Imagem: Divulgação/Netflix

Apesar disso, a trama retrata um mundo de injustiças, um pouco da questão das aparências que precisam ser mantidas pelas pessoas ricas e a existência de pessoas de classes sociais inferiores e que sofrem com a miséria. Também há um pouco de machismo, com muitas personagens afirmando o quão difícil é ser mulher naquela sociedade, algumas delas não se contentando a serem apenas esposas de maridos ricos. No entanto, todas essas questões são apresentadas com sutileza, deixando o foco nos romances e nas fofocas.

Bridgerton traz uma perspectiva um pouco mais inovadora do que as outras histórias de romance aristocratas, mas falha em se aprofundar mais em temas paralelos, deixando todo o destaque para as histórias melosas da busca pelo amor verdadeiro, pelo casamento por amor, pelo romance água com açúcar. A estética da série conquista pelas roupas e cabelos, inclusive trazendo uma rainha com um black power, e pelos cenários da antiga Inglaterra que, mesmo tendo passado por correções de cores, obviamente, são um deleite aos olhos e se tornam ainda mais chamativos que as capas de livros de romances do tipo.

A série Bridgerton já está disponível na Netflix em oito episódios.

Fonte: Canaltech

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