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Moody’s rebaixa Brasil e retira grau de investimento; perspectiva é negativa

Angelo Pavini
Arena do Pavini

A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota de crédito do Brasil de “Baa3″ para “Ba2″, e colocou o rating do país em perspectiva negativa. Com isso, o país perdeu o último selo de bom pagador, o chamado grau de investimento. Standard & Poor’s e Fitch já haviam retirado o selo do país no ano passado.

A medida já era esperada, mas deve piorar ainda mais as condições de crédito do país no exterior, aumentando os juros cobrados do governo e das empresas brasileiras. O rebaixamento reforça a desconfiança dos investidores internacionais no país e pode ter impacto no dólar, enfraquecendo a moeda brasileira e criando preocupações para o controle da inflação.

Segundo a Moody’s, o rebaixamento se deve à perspectiva de rápida deterioração do perfil da dívida brasileira em um ambiente de baixo crescimento econômico, o que deve levar o endividamento do governo a superar 80% do Produto Interno Bruto (PIB) em três anos. A Moody’s cita ainda as dinâmicas políticas desafiadoras, que vão continuar a complicar o ajuste fiscal proposto pelo governo e adiar reformas estruturais.

A perspectiva negativa para a nota reflete a visão de que os riscos de um ajuste fiscal lento e uma recuperação econômica pequena, ou de impactos de eventuais choques externos, estão crescendo, o que cria incertezas sobre a magnitude da deterioração do perfil da dívida brasileira, com impactos sobre o rating.

A Moody’s diz que a qualidade do crédito brasileiro tem se deteriorado desde que a agência deu ao país a nota de crédito Baa3 com perspectiva estável, em agosto de 2015. Essa deterioração deve continuar nos próximos três anos, dado o choque na economia brasileira, a falta de progresso do governo em atingir suas metas fiscais e de reformas econômicas e a dinâmica política que deve persistir nesse período.