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Gestores indicam 14 ações baratas com muito valor

Blog do Pavini
Foto: Divulgação

Em tempos difíceis para quem pensa em investir no mercado de ações brasileiro, um time de oito gestores especialistas em “garimpar” o mercado à procura de boas oportunidades listou 14 papéis que, nos próximos anos, têm perspectivas de dar altos retornos aos investidores.

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Os especialistas participaram da 7ª edição do Congresso Value Investing Brasil, realizada quinta-feira em São Paulo. As ações foram selecionadas com base na técnica de investimentos que dá nome ao congresso. O “value investing”, ou investimento em valor, consiste em estudar com profundidade os fundamentos das companhias nas quais se quer aplicar. O objetivo é procurar ações de empresas que estejam com um preço bem abaixo do que seria justo pagar pelo negócio. A técnica de investimento em valor foi desenvolvida pelo investidor americano Benjamin Graham no início do século XX e aprimorada por seu pupilo Warren Buffett, o “oráculo de Omaha”, um dos homens mais ricos do mundo.

Ao analisar com cuidado cada empresa, os analistas procuram as com potencial de valor que ainda não foi detectado pelo mercado. Frequentemente, essa técnica envolve não apenas encontrar valor “represado” nas empresas, mas também comprar ações dessas companhias até atingir uma participação relevante no capital, de modo a poder influenciar a gestão das companhias, ajudando-as a “destravar” esse valor potencial.

Geralmente os investidores procuram companhias menores, que atuam em mercados com fortes barreiras à entrada de concorrência. Por serem empresas menores e menos conhecidas, as ações têm menos liquidez. Além disso, outra característica dessa técnica de investimento são os longos períodos durante os quais os investidores mantêm os papéis em carteira, esperando que o valor que eles enxergaram no negócio se concretize.

Confira abaixo 14 ações indicadas por gestores das instituições GTI Administração de Recursos, Studio Investimentos, Oceana Investimentos, Gávea Investimentos, Opus Gestão de Recursos, STK Capital, Mauá Sekular e Impacto Investimentos. Embora a maior parte dos papéis não esteja "sob os holofotes" do mercado, os gestores incluíram também dois "medalhões" da bolsa, Vale e Itaú Unibanco, pelo grande potencial de valorização das ações dessas empresas.

Locamerica

As ações da empresa de aluguel de automóveis Locamerica estão na lista de preferências do gestor André Gordon, da GTI Administração de recursos. Segundo ele, a escolha corresponde à estratégia da gestora de procurar segmentos em que as empresas tenham maior estabilidade na geração de receita. De acordo com o gestor, as ações da Locamerica são negociadas em bolsa por um valor abaixo do correspondente ao valor líquido da frota da companhia.

O papel, que hoje está cotado na casa dos R$ 4,10, está abaixo do preço justo, estimado por ele como algo em torno de R$ 9,00. O desconto entre o valor real e o potencial, segundo Gordon, reflete um 2013 ruim para a companhia, com a perda de clientes importantes. “Vemos esse preço de R$ 9,00 assumindo premissas conservadoras”, afirmou. “Hoje, o aluguel no Brasil é de aproximadamente de 5,4% da frota, e estimamos que esse número pode dobrar.”

Além disso, de acordo com ele, a empresa tem a chance de vender os veículos para usuários após um tempo de uso (geralmente de um ano). Ele estima que a companhia terá crescimento de 5% nos próximos cinco anos.

Equatorial Energia

Para Breno Guerbatin, da Studio Investimentos, as ações da distribuidora de energia Equatorial estão entre as com bom potencial de valorização para os próximos anos. A companhia passa por um momento de melhora operacional e redução de custos que não tardará a ter impacto positivo sobre os resultados. “Estimamos um retorno de 13% ao ano para a companhia”, afirmou. Embora o setor elétrico passe por dificuldades, sendo a maior a iminência de um racionamento, por conta da escassez de chuvas, as perspectivas para a Equatorial são boas.

Embora a questão regulatória ainda represente um risco, com chances de mudanças nas regras do jogo por parte do governo, o gestor afirma que o cenário ficou mais tranquilo se comparado ao que aconteceu entre 2012 e 2013. Quanto à falta de chuvas, Guerbatin afirmou que, se houvesse um racionamento de 10% do consumo de energia, o impacto levaria a rentabilidade ao ano da companhia para 11%. “Vemos um impacto leve e o papel segue interessante.”

Gerdau

Guerbatin também aposta nas ações da Gerdau, mesmo após um primeiro trimestre difícil para a companhia. Contudo, para o fim deste ano e começo de 2015, a perspectiva é de que o mercado de siderurgia e metalurgia melhore, mesmo que o volume de grandes obras não aumente. “Esperamos uma recuperação da demanda nos Estados Unidos, o que deve beneficiar a companhia”, afirmou. Além disso, a companhia foi beneficiada pelo momento em que o câmbio esteve mais desvalorizado, com o dólar na casa dos R$ 2,30. “Esses resultados não se refletiram no primeiro trimestre, mas vão aparecer mais à frente.”

Vale

As ações da Vale têm passado por um momento de desvalorização em função das preocupações do mercado com a situação na China. Ainda assim, o papel é visto pela gestora Oceana Investimentos como uma opção promissora, segundo o gestor Leonardo Messer. “A margem de segurança que identificamos para investir nas ações da Vale no preço atual é bem interessante”, observou. O especialista afirmou que espera um bom retorno dos papéis mesmo com o patamar de preço do minério de ferro ainda pressionado.

Segundo Messer, os investidores, na média, têm dificuldades em investir na Vale enxergando uma boa margem de segurança por causa dos problemas na economia chinesa. “Isso não é totalmente verdade”, afirmou. “Entendemos que a gestão da companhia está alinhada aos interesses dos acionistas, mais do que a administração anterior, focada em melhorar a rentabilidade dos projetos, na redução de custos, alocação eficiente de capital, que fizeram a empresa dar um salto importante de gestão.”

Itaú Unibanco

Messer também destaca outra ação de grande visibilidade no mercado entre suas preferidas: Itaú Unibanco. “Gostamos do papel, mesmo sem sermos entusiastas do mercado de crédito”, declarou. “Não vemos o Itaú como um negócio unicamente de crédito, e sim, como um conglomerado financeiro, com seguros, crédito, ganhos com tarifas, gestão de recursos, dentre outros.” Segundo ele, investir diretamente nos papéis do banco ou nas ações da Itausa, holding que controla o Itaú, são boas opções para os investidores. Ele destacou o momento positivo pelo qual a instituição passa, com fortes resultados, melhora da qualidade dos ativos, crescimento importante da carteira de crédito e queda contínua nos índices de inadimplência.

Klabin

Para Thomas de Mello e Souza, da Gávea Investimentos, as ações da Klabin podem representar “uma história interessante para os próximos três ou quatro anos”, afirmou. A empresa, maior produtora de embalagens da América Latina, passa por um estágio de mudança crucial, de acordo com o gestor. “Implantaram um estilo novo de gestão, houve a entrada do novo presidente, com um mandato que trouxe previsibilidade para o plano de negócios da companhia, com corte de custos e melhora de margens”, declarou.

Na opinião de Souza, a Klabin tem mostrado melhora também em sua governança, sendo mais transparente e fácil de ser compreendida pelos investidores. Além disso, o especialista destacou a entrada da Klabin na área de produção de celulose, aumentando a diversificação de suas fontes de receita. “Essa expansão da área de atuação da Klabin não nos preocupa, porque isso vai permitir que a companhia produza mais embalagens nos próximos anos.” Na visão do gestor, os recibos de ações da Klabin negociam hoje a um preço 30% menor do que o que realmente valem, representando um bom potencial de retorno para o investidor. As units da Klabin hoje negociam a R$ 11,3. “É um papel que, por volta de 2017, deve chegar a R$ 20, vai dar muita alegria ao investidor”, afirmou.

Technos

A fabricante de relógios Technos também está na lista de boas oportunidades enxergadas pelo gestor da Gávea para os próximos dois a três anos. Segundo ele, a empresa é um “exemplo de posicionamento em um mercado difícil”. O gestor explicou que, nos últimos anos, a companhia cortou custos de maneira agressiva, reduzindo seu estoque e integrando sua força de venda à das empresas adquiridas recentemente. Para ele, o cenário de expansão da empresa no varejo é favorável, com direito até a diversificação dos negócios. “A companhia é líder de mercado, não enfrenta muita competição e deve se beneficiar dessa posição.”

Para Souza, as ações da Technos devem chegar a R$ 22 nos próximos dois a três anos, com expectativa de bom pagamento de dividendos. Hoje, os papéis da Technos são negociados a R$ 11,5.

Guararapes

Para Adriano Seabra, gestor da Opus Gestora de Recursos, a Guararapes, empresa que controla a varejista Riachuelo, tem uma das ações mais atrativas do mercado. Com uma receita de R$ 4 bilhões e lucro de R$ 400 mil em 2013, a companhia conta com mais de 200 lojas e promete abrir 40 novos pontos por ano, segundo o gestor. Ele afirma que a companhia já foi criticada pelo mercado por ser uma empresa integrada, sendo dona não apenas da confecção, mas também da tecelagem. “Não achamos que isso é um problema, porque ajuda a Guararapes a controlar toda a cadeia”, observou. “Gostamos dessa estratégia.”

Ser Educacional

Seabra também destaca a Ser Educacional como papel com potencial de crescimento de valor. A empresa é dona de faculdades principalmente nas regiões Norte e Nordeste do país e conta, atualmente, com uma base de 85 mil alunos. O crescimento no Nordeste, na visão do gestor, “é praticamente garantido, dada a baixa penetração do ensino superior na região”. Além disso, apesar da renda média da população no Nordeste ser menor, os alunos de instituições da Ser têm obtido acesso ao financiamento estudantil.

Nas projeções da Opus, a base de alunos da Ser Educacional deve crescer em torno de 30% nos próximos anos, “sem muita necessidade de esforço por parte deles”. Em quatro anos, segundo o gestor, a empresa deve dobrar sua capacidade de oferta de cursos. O gestor estima um preço justo para os papéis de R$ 30. O preço atual das ações é de R$ 22,3.

Cosan

A Cosan chama a atenção do gestor da STK Capital Antenor Fernandes por ter passado por “uma transformação impressionante nos últimos anos”. Em 2008, a empresa tinha receita de aproximadamente R$ 600 mil, chegando a R$ 36 bilhões no ano passado. “A empresa passou de um negócio cíclico e imprevisível para um modelo diversificado e com bastante previsibilidade”, ressaltou.

A companhia tem participações relevantes nos mercados em que atua e o negócio de cana, mais dependente de ciclos, hoje representa apenas 20% do lucro operacional da Cosan.

Fernandes destaca que a companhia tem um caminho promissor no mercado de distribuição de combustíveis, e também no ramo de lojas de conveniência em postos de gasolina. “Eles têm um plano forte de melhora de eficiência.” Recentemente a companhia anunciou a fusão de sua controlada Rumo, da área de logística, com a ALL, abrindo um potencial “espantoso de crescimento”.

Ele ressaltou ainda que a companhia tem uma equipe de gestão “diferenciada, capaz de gerar valor para os acionistas”. O preço justo estimado pelo gestor pra as ações da Cosan é de R$ 57 para 2016. Atualmente o papel é negociado a R$ 36,9.

Kroton

Segunda empresa do setor de educação na lista, a Kroton é outra das empresas cujas ações foram bem avaliadas pelo gestor da STK. Líder do setor, a empresa teve “uma transformação incrível nos últimos anos, com seis boas aquisições”, disse Fernandes. Após essas seis operações bem-sucedidas, a companhia anunciou sua fusão com a Anhanguera, criando a maior companhia de educação do mundo, com cerca de 1 milhão de alunos.

Na visão de Fernandes, a empresa tem “um time de gestão extraordinário, fora da curva”, capaz de criar ainda mais valor para a companhia. “Projetamos um crescimento anual de 26% no lucro líquido e de 15% na receita da companhia”, afirmou. Antes do anúncio da operação com a Anhanguera, o preço justo estimado pela STK para os papéis da Kroton era de R$ 78, passando a R$ 80 depois do anúncio. O preço atual das ações é de R$ 56,30.

Tupy

Depois de passar por dois momentos de reestruturação, tendo chegado perto de quebrar, a empresa de fundição de blocos e cabeçotes para motores Tupy encontrou um caminho de forte crescimento. A companhia está entre as preferidas do gestor Guilherme Vicente, da Mauá Sekular. Em meio aos processos de reestruturação, a empresa cortou a fabricação de produtos que não davam margem de lucro, mantendo o foco na produção de blocos e cabeçotes para motores. “O processo produtivo deles levou a companhia a ter uma capacidade de fundir peças de geometria complexa com mais facilidade que outras empresas”, lembrou Vicente.

Além disso, a maior disciplina financeira levou a Tupy ao posto de maior companhia de blocos e cabeçotes do mundo. A empresa fez aquisições e emissões de ações para reduzir seu nível de endividamento. “Hoje, ela está bem posicionada em sua cadeia de valor, tem boa diversificação na geração de receitas e também na linha de produtos”, disse. Embora não tenha indicado um patamar de preço para os papéis, Vicente afirmou que a empresa tem crescido a uma taxa de 17% ao ano, “com contratos bons o bastante para repassar a inflação em seus preços, tornando essa taxa de crescimento real”.

SulAmérica

Para o gestor Pedro Diniz, da Impacto Investimentos, as ações da SulAmérica são uma boa maneira de o investidor “surfar o cenário de juros altos, colhendo os benefícios na bolsa”. De acordo com ele, a empresa de seguros e planos de saúde tem boa parte do seu lucro com receitas financeiras atreladas a juros. O especialista afirmou que não enxerga uma mudança grande no patamar da taxa de juros para o ano que vem, portanto, o investidor teria nos papéis da SulAmérica uma boa proteção nesse ambiente.

Outra característica que torna o investimento nos papéis da SulAmérica uma boa ideia é o fato de que a empresa é independente, ou seja, não está ligada a instituições financeiras. “Não ser independente restringiria o potencial de crescimento da companhia”, observou. Além disso, a empresa realizou mudanças societárias recentemente, abrindo caminho para que, de agora em diante, ela mantenha seu foco apenas em estratégias operacionais para crescer no mercado. O gestor não citou qual seria o patamar de preço justo para as ações.

Grazziotin

As ações da varejista Grazziotin, que possui lojas apenas na Região Sul do país, também entram na lista de melhores escolhas do gestor da Impacto. Para Diniz, a empresa tem boa vantagem competitiva, “nunca deu prejuízo desde o início de suas atividades e tem margens impressionantes”. Ele elogiou também o estilo de gestão da companhia, e o profundo conhecimento que seus administradores têm do mercado – bastante específico - em que a Grazziotin atua. Os papéis, que hoje negociam a R$ 18, estão abaixo de seu valor justo, na opinião do gestor, e devem chegar a R$ 27 nos próximos anos.

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