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Finanças

Você está vendo propaganda política e talvez nem tenha percebido

Yahoo Finanças
(Reprodução)

Por @vitorvalencio

O crescimento das plataformas digitais para campanhas políticas é uma evidência do crescimento da internet sobre meios de comunicação tradicionais, como jornais, televisão e rádio, por exemplo. A composição política do país permite coligações políticas, que por sua vez, se aproveitam de grandes alianças para conseguir horários eleitorais maiores no rádio e na televisão, que ainda funcionam a partir de concessões públicas. Logo são obrigados a exibir tal programação. No entanto, talvez você esteja vendo propaganda política em sua timeline e ainda nem percebeu… Será?

Antes de mais nada, fique tranquilo. Esse texto não se trata de propaganda, a gente garante. Pelo contrário, vamos entender como campanhas políticas abordam as pessoas de maneiras até então inesperadas.

Quando o telefone ainda era uma ferramenta crucial para as conversas à distância, era comum receber ligações com gravações de candidatos pedindo votos. Isso ainda acontece, e creia, faz efeito. No entanto, a tecnologia nos trouxe a outro patamar na disseminação da informação e as ferramentas de persuasão também evoluíram.

Hoje, não é incomum receber e-mails com propaganda política. Quem é nunca recebeu um alerta ou notificação de rede social para um conteúdo político? Alguns candidatos “seguem” perfis aleatoriamente no Instagram, apenas para divulgar suas plataformas de campanha e arrecadarem mais votos. Uma estratégia já manjada por especialistas em mídias sociais e influenciadores digitais.

Se você é usuário habitual de redes sociais e ainda não recebeu um “convite” para seguir determinado candidato, pode ter certeza, ainda vai receber. “Fulano de tal” curtiu a sua foto. Se você nunca ouviu falar na pessoa ou empresa, esteja certo de que se trata de alguém tentando atrair sua atenção.

Não há nada de ilegal nisso, mas se trata de uma ferramenta que utiliza a previsibilidade do comportamento humano para conseguir divulgar ideias, produtos ou serviços. Muitas vezes, esse comportamento é replicado por bots. Aplicativos de inteligência artificial programados para repetir tarefas. Nesse caso, multiplicar plataformas de seguidores e disseminar ideais.

De acordo com um estudo divulgado pela Trend Micro, programas como esses podem criar pequenas celebridades virtuais. O primeiro consiste em um aumento de cerca de 11000 seguidores. Depois disso, os bots passam a compartilhar o conteúdo através de outros perfis falsos. Isso leva à terceira etapa, um aumento de centenas de milhares de seguidores regionais, que replicam o conteúdo e aumentam a relevância do conteúdo nas redes. O último passo talvez seja o único orgânico, o resultado é a expansão das ideias e da persona criada na internet.

O que é BIG DATA?

BIG DATA tem sido um termo recorrente na indústria da informação, mesmo assim não tão próximo do público, em geral. Sabe aquele formulário de pesquisa que alguém pede para responder para o “TCC” da faculdade? Os canais de TV que você assiste, o horário, quanto tempo permanece neles. Os portais que acessa na internet, as buscas que realiza no Google, o provedor de e-mail que utiliza, suas postagens no Facebook, Instagram, Twitter… tudo isso gera dados, e esses dados estão sendo interpretados por alguém, que deseja saber como você pensa.

Os dados que disponibilizamos nas redes servem para que empresas, como Google, Netflix, Spotify e Amazon saibam onde e como investir seus esforços de marketing. Por outro lado, empresas provedoras de serviço, como companhias aéreas ou provedoras de internet podem utilizar esses dados para melhorar a qualidade de seus serviços ou mesmo criar aplicativos que prevejam dificuldades que os clientes possam vir a ter. Quem é que não tem, não é mesmo?

O termo BIG DATA se refere a uma grande quantidade de dados não estruturados. Significa algo como informação brutas. Ou seja, com potencial, mas ainda não lapidadas para nenhuma finalidade específica. Para se ter uma ideia, hoje produzimos mais de 2.5 quintalhões de bytes por dia.

Dados levantados pela equipe do Google Consumer Survey e através de dados de busca do Google revelam que o Brasil tem cerca de 67 milhões de mães, sendo que 71 por cento delas acessa a internet. Números que exercem influência direta no mercado de varejo, por exemplo.

Uma vez que o estudo identificou que 72% dos usuários de internet celebram o Dia das Mães; 46% das pessoas que não compraram em 2017 irão comprar em 2018; Quem deseja comprar na data pela internet apresenta um tíquete médio 14% maior.

Além disso, o consumidor começa a pesquisar cerca de um mês antes da ocasião, sendo que o pico por presentes acontece uma semana antes da data; 63% das buscas por presentes para Mães acontecem em dispositivos móveis; Em 2017 as requisições para lojas físicas no Waze cresceram 43%, sendo 46% para lojas de beleza, 30% moda e 15% shoppings; As buscas por termos relacionados a data crescem em média +51% ao ano e mais rápido que por outras datas como Dia das Crianças, Pais e Namorados.

E sabe em quais cenários a interpretação desses dados também podem ser utilizados? Todos! As músicas que seu aplicativo oferece, os filmes e vídeos recomendados pelas plataformas de streaming… E política, principalmente! Governos também podem se valer dessas informações para melhorar a vida dos cidadãos ou até mesmo protegê-los. Através das pesquisas o Estado pode entender como as pessoas se locomovem, o que procuram na internet e como agem a partir disso.

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