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Finanças

Seus amigos podem estar te deixando mais pobre, revela novo estudo; entenda

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(Pixabay)

Por Melissa Santos

Sabe a máxima “diga-me com quem andas e te direi quem és”? Pois bem, essa ideia de que as relações a nossa volta impactam —e muito— a nossa personalidade já é bem conhecida, mas também há uma corrente que defende que os nossos contatos pessoais influenciam de forma determinante outros aspectos, como a nossa saúde financeira.

Paulo Vieira, consultor e PhD em Business Administration, explica que esse é o conceito de “contágio social”, um fenômeno comprovado cientificamente pelos cientistas norte-americanos Nicholas A. Christakis e James H. Fowler.

“Em suma, ele corresponde a um processo em que os sentimentos, comportamentos, hábitos e costumes de uma pessoa influenciam e se transferem para outra, podendo influenciar, inclusive, quem nem conhecemos, mas fazem parte do nosso círculo social comum. Para se ter ideia, é possível influenciar até o amigo do amigo do seu amigo. Isso significa que estamos constantemente passando o que somos e recebendo o que o outro é”, acredita.

Vieira explica que o contágio social nos leva a uma sincronia com quem faz parte da nossa vida. E como essa sincronia é alcançada com mais facilidade com pessoas cujas características são semelhantes às nossas, temos a tendência de participar dos mesmos grupos que elas. “Isso explica porque fumantes têm muitos amigos fumantes e pessoas em busca de sucesso profissional normalmente têm muitos amigos bem-sucedidos ou com foco na carreira. O convívio com esses grupos é capaz de influenciar positiva ou negativamente os resultados profissionais e pessoais”, fala.

O contágio acontece em todos os aspectos da nossa vida, inclusive no financeiro. Ou seja, seus amigos e familiares podem fazer com que você fique mais rico ou mais pobre. “Quando estamos em contato com pessoas prósperas, que cuidam adequadamente das finanças, veem o dinheiro como algo positivo e buscam alternativas para aumentarem ainda mais o patrimônio, naturalmente passamos a adotar a forma de pensar, sentir e se comportar delas. Isso acontece porque ao conviver com aquelas pessoas, adquirimos hábitos que impulsionam nosso crescimento”, explica.

Mas o contágio não funciona só de forma positiva, ou seja, se você costuma conviver com pessoas que vivem endividadas, que não têm pretensão de crescer financeiramente, não têm controle financeiro, que enxergam o enriquecimento como algo negativo e etc., é natural adotar a mesma postura por mais que tenhamos vontade de mudar. “Isso porque ao invés de nos impulsionar, como acontece no outro caso, esse contágio social vai atuar como um bloqueio”, fala.

O contato com pessoas malsucedidas financeiramente também pode impactar diretamente no grau de exigência que você tem consigo. Vieira explica que isso pode acontecer, pois as pessoas tendem a diminuir a própria ambição. “Quando estamos rodeados por pessoas limitadas, com poucos sonhos e objetivos, tendemos a deixar nossos sonhos mais ousados de lado. Por outro lado, o contato com pessoas bem-sucedidas faz com que nosso grau de exigência aumente para ficarmos iguais àquele grupo. Para isso, buscamos formas de manter ou conquistar aquele padrão de prosperidade, de modo que nos sentimos motivados a buscar mais informações sobre como fazer isso em cursos, vídeos, livros etc. O resultado é que isso fortifica ainda mais as crenças de merecimento, capacidade e prosperidade”, destaca.

Vieira dá algumas dicas para receber melhores influências no aspecto financeiro. Uma delas é observar os padrões de gastos de quem o cerca. “Pessoas bem-sucedidas financeiramente gastam muito menos do que ganham. Elas direcionam grande parte de seus recursos para investimentos que as farão ainda mais prósperas. Se você se relacionar com pessoas que tenham essa mentalidade, mesmo que elas ainda não sejam ricas, estará com um contágio social financeiro positivo”, fala.

No entanto, ele deixa claro que, embora seja mais interessante selecionar melhor as pessoas com quem se tem contato, não é preciso excluir ninguém ou criar processos de ruptura nas relações que já existem. “Se você identificou que alguém especial, seja um amigo ou um familiar, não é uma relação positiva, perceba o que esta pessoa traz de negativo e rebata. Uma hora essa pessoa vai entender que determinado comportamento o afasta dela e, aos poucos, vai reduzi-lo pelo menos enquanto você estiver por perto”, fala.

E, claro, tudo é uma troca. “Talvez você tenha um amigo que não é uma boa influência financeira, mas é um excelente contágio para a sua saúde ou para sua espiritualidade. Obviamente, não será para essa pessoa que você vai pedir dicas financeiras, mas isso não quer dizer que ela deva ser excluída da sua vida. Você está doando uma mentalidade financeira de sucesso e está recebendo em saúde e espiritualidade”, exemplifica.

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