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Finanças

“Está obsoleta a ideia de que liberalismo é coisa de elite”, diz economista de João Amoêdo (Novo)

Yahoo Finanças
(Rodrigo Félix Leal/Futura Press)

Por Fernanda Santos

O economista Gustavo Franco, responsável pelo plano econômico do candidato à Presidência João Amoêdo (Novo), acredita que para o país voltar a crescer é preciso valorizar o empreendedor, que hoje tem pouca representatividade no parlamento.

“Como se não fosse quem gera emprego, prosperidade e é o motor econômico do país”, disse em sabatina organizada pelo Estadão em parceria com o Instituto Brasileiro de Economia (FGV IBRE).

Para que o país avance entre 4% e 5% ao ano, os investimentos devem saltar dos 15% atuais para ao menos 25% do Produto Interno Bruto (PIB), afirmou Gustavo. Esse salto, segundo ele, virá do setor privado, pois a receita do governo já está comprometida com gastos sociais. “Tirar dinheiro desse tipo de agenda social para fazer ponte não tem o menor cabimento”, disse.

Quando questionado sobre o Novo ser ou não um partido de elite, voltado ao mercado financeiro, o economista de João Amoêdo destacou: “Há 27 milhões de empreendedores no Brasil, quase tanto quanto os 33 milhões com carteira assinada. Está obsoleta a ideia de que liberalismo é coisa de elite.”

Diminuir as chateações do empreendedor

O empreendedor é visto pelo Novo como alguém que gera empregos, paga impostos e, ainda assim, é oprimido por um ambiente de negócios burocrático, com leis trabalhistas e tributárias onerosas.

“No Brasil, a Justiça do Trabalho e as leis trabalhista se alimentam do confronto quando deveriam ter uma função diferente, que fomentasse a criação de empregos”, disse Gustavo.

Está nos planos do partido, portanto, diminuir as “chateações” que os empreendedores e as empresas passam diariamente. Para isso, será necessário derrubar o custo do capital e viabilizar o aumento da produtividade.

A agenda macroeconômica do Novo, focada em diminuir o custo do capital, inclui três reformas principais – a tributária, a da Previdência e a do Estado, com redução de privilégios.

“Um funcionário público federal ganha 67% a mais que uma pessoa com a mesma experiência ganha no setor privado, em emprego semelhante”, explica o economista.

“Funcionários públicos são brasileiros como nós. Se tiverem privilégios, desculpa, teremos que mexer sim.”

O Novo também acredita que é necessário reduzir a Selic, taxa básica de juros da economia, para derrubar os juros bancários e tornar o crédito mais barato.

Já a produtividade, que está na agenda microeconômica, virá principalmente com a abertura comercial – chamada por Gustavo Franco de a “mãe de todas as reformas”.

Previdência

O economista de João Amoêdo também falou que considera a Previdência por Capitalização o modelo mais “justo”, mas acredita que os custos de transição são inviáveis ao país.

A ideia, então, é usar as “poupanças forçadas” como o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para ajudar na reforma.

“O FGTS, de 2003 para 2017, teve rendimento acumulado de 95%. Os fundos de pensão de Previdência fechada renderam 620%. O FGTS poderia ter 6 vezes mais recursos do que tem hoje”, explicou.

Privatizações

Franco acha que nem todas as estatais devem ser privatizadas, pois algumas “têm seu papel”. Outras, entretanto, seriam até mesmo fechadas.

“Não se trata nem de privatizar, se trata de fechar. Várias diretorias são abastecidas com amigos da base aliada”, disse.

Eletrobras e Banco do Brasil, segundo ele, estão “prontas para privatizar”, mas o melhor caminho pode ser diluir a participação do governo em vez de simplesmente passar as empresas ao setor privado.

“Seria mais competitivo e não deveríamos descaracterizar a marca”, explica.

Já a Petrobras é o caso mais difícil. “É muito provável que vários pedaços sejam privatizados e outros não”, disse. “Temos que resolver com calma.”

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