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Finanças

Ela cortou cana e hoje fatura R$ 2,5 milhões com semijoias

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Melissa Santos

Nascida no interior de Minas Gerais, Sabrina Nunes sempre foi apaixonada por vendas. Ela chegou a ter um restaurante que não deu certo e resolveu sair da cidade por falta de trabalho. Foi quando se mudou para o Mato Grosso com uma proposta de trabalho em uma usina que não deu certo. “O que sobrou foi cortar cana e aí eu fui. Mas nunca deixei as vendas de lado. Vendia Natura e Avon enquanto morava lá”, conta.

Depois de terminar a graduação em serviço social, Sabrina continuou trabalhando na usina por um tempo, quando percebeu que os engenheiros que trabalhavam lá ganhavam muito dinheiro. “Na época, eles ganhavam cinco mil reais e esse era meu sonho de salário. Comecei a pensar em formas de ganhar esse dinheiro para alcançar minha meta”, fala.

Sabrina conseguiu uma bolsa no ProUni e mudou-se para o Rio de Janeiro para morar com a irmã. Depois de ler em uma revista que lojas on-line estavam faturando R$ 3 mil reais por mês, ela resolveu montar seu próprio negócio, em um site chamado Elo 7.

A opção por bijuterias, no início, foi intuitiva, pelo simples fato de o produto que não custar muito. “No início, meu amor não era pelos acessórios, mas sim por vender. Investi R$ 50 reais e as coisas foram dando resultado. Trabalhava em uma incubadora de empresas, estudava engenharia de produção — porque queria ganhar como os engenheiros — e ainda cuidava da loja on-line”, relembra.

Como tudo começou no boom do Facebook e das mídias sociais, Sabrina resolveu investir R$ 300 em propaganda digital e vendeu R$ 3 mil. “Percebi que era isso que eu precisava fazer e resolvi investir. Fazia muita feira, eventos e ainda atendia a domicílio no fim de semana”, fala.

Em menos de um ano, Sabrina abriu o site da Francisca Joias Contemporâneas. O nome foi escolhido para homenagear a avó e madrinha da empreendedora. Para ela, o nome representa força, perseverança e afeto. Nessa época, Sabrina enfrentou seu maior desafio: montar um e-commerce sem qualquer experiência na área de tecnologia. “Não sabia como montar o site, como eram feitos os pedidos, a logística e expedição, enfim, todo o processo”.

Desafios de empreender

A falta de experiência trouxe alguns problemas. Em determinado momento do negócio, Sabrina ficou 18 dias sem vender nada por conta do seu domínio na internet. “Acho que tudo na minha jornada foi um aprendizado. Mas deixo uma dica: não trabalhem com amadores. Fiquei esses dias todos fora do ar porque o programador registrou o domínio do site no nome dele e eu perdi meu site. Depois disso passei a adotar a máxima: se você quer ser grande, trabalhe com empresas grandes também”, aconselha.

Os outros desafios enfrentados pela empreendedora foram a falta de capital e a concepção da marca. “Você tem que criar o conceito do que você quer passar para as pessoas. Entender o que o cliente quer e, para isso, precisa estudar muito pesquisar, fazer cursos, pedir ajuda para quem pode e participar de eventos”, destaca.

Após a marca ganhar “forma”, Sabrina resolveu abrir um projeto com revendedoras, que atualmente conta com 500 profissionais espalhadas pelo Brasil. “As pessoas começaram a perguntar se eu vendia por atacado, mas aquele não era o foco. Percebi muitas mulheres que precisavam de um apoio, de independência financeira, que passavam pelo mesmo problema que passei. Foi aí que resolvi abrir a opção de revendedora. Elas compram os produtos da Francisca e revendem. Elas são a base da minha marca”, fala.

Faça hoje com o que você tem

A dica de Sabrina para quem quer empreender hoje, mesmo com o mercado em crise, é fazer “hoje com o que se tem”. “Muitas vezes, para tirar um plano do papel, a gente arranja várias ‘desculpas’ e imposições. Não tenho a melhor máquina de fotos, então, vou esperar ter dinheiro para comprar e lançar o site. Quando eu comecei não tinha os melhores recursos, mas fiz com o que tinha e fui ajustando no caminho. Às vezes esses ‘mimimis’ nos impedem de tirar o projeto do papel”, acredita.

Para continuar mantendo o foco no cliente, Sabrina preza que a Francisca Joias seja um e-commerce humanizado. “Não só na linguagem, mas nós queremos passar isso em todos os detalhes com brindes, promoções, embalagens com cheirinho. A gente se preocupa com tudo do início do processo de compra até a entrega do produto”, fala.

Atualmente, a empreendedora segue firme e forte nas tomadas de decisão do negócio. Além de desenvolver coleções de semijoias, “tive que aprender a desenhar na marra”, Sabrina também precisa estar antenada com a moda e com o gosto dos clientes. “Quando quero desenvolver algo novo, uso muito no Facebook como teste, para saber se elas comprariam aquela peça”, diz.

A meta da Francisca Joias é continuar aumentando o número de vendas e de revendedoras. “Não pensamos em loja física, nem franquia…Em 2016, faturamos 2,5 milhões mesmo com a crise”, comemora.

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