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Finanças

Como empresários salvaram o Masp de falência

Yahoo Finanças
Charles Sholl/Futura Press)

O incêndio no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, despertou a discussão sobre os gastos públicos com os patrimônios culturais do país, na mesma semana, um prédio histórico de Salvador também pegou fogo. E, de acordo com especialistas, outros museus brasileiros correm riscos por conta do abandono e da falta de dinheiro para sua manutenção. Ago semelhante aconteceu com o Museu de Arte de São Paulo, o Masp.

Em 2013, o museu tinha uma série de contas atrasadas e corria o risco de fechar as portas. Uma reportagem da revista Exame aponta que na época, Alberto Whitaker, que trabalhava como superintendente do Mas, conversou com um dos principais acionistas do banco Itaú, Alfredo Setúbal, em busca de um empréstimo.

O pedido foi negado, mas Setúbal ajudou a realizar um projeto de reestruturação, mais ou menos como acontece com uma empresa com dificuldades. Em três anos, o faturamento quadruplicou, chegando a quase R$ 40 milhões, R$ 2 milhões a mais do que as despesas anuais. As dívidas também caíram, passando de R$ 75 milhões para R$ 40 milhões.

A fórmula do sucesso

Para realizar as mudanças, Setubal entrou em contato com Heitor Martins, sócio da consultoria McKinsey e responsável pelo sucesso da Fundação Bienal de São Paulo. Juntos, eles criaram um novo estatuto para o Masp, inspirado em documentos de museus como o MoMA e o Metropolitan, nos Estados Unidos. Assim, as decisões seriam tomadas por um conselho deliberativo, formado por 80 empresários.

Para fazer parte do conselho era preciso doar R$ 150 mil e se comprometer a doar mais R$ 35 mil por ano. Com a iniciativa, foram arrecadados R$ 15 milhões já que algumas pessoas doaram até 500 mil.

A segunda parte do projeto foi um estudo que mostrou que era possível aumentar o valor cobrado pelo ingresso. Outro fator importante foi a arrecadação de vendas da loja do museu, que foi acompanhada e quantificada. Com isso, o gasto médio por visitante passou de R$ 1,50 para R$ 4,50.

O conselho também renegociou as dívidas, estendendo os prazos para o pagamento e, assim, saindo do vermelho.

O objetivo agora é manter a instituição saudável. Para isso, o grupo criou uma área de captação de patrocínios e doações e, entre 2014 e 2017, foram arrecadados R$ 50 milhões. A ideia pode ser uma das soluções disponíveis para os 3.500 museus do país.

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