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Finanças

Austrália testa jornada de 5 horas de trabalho; daria certo no Brasil? Especialistas comentam

Yahoo Finanças
(Pixabay)

Por Melissa Santos

Trabalhar das 9h às 18h é comum no Brasil, mas já imaginou se as jornadas pudessem diminuir de 8 horas para 5 horas de trabalho por dia? Pois essa mudança para uma jornada mais leve têm sido tema de debates em outros países, como Austrália, Estados Unidos e Suécia.

O tema é bastante polêmico e divide opiniões entre os países que já testaram o modelo. Enquanto uns não tiveram um resultado tão positivo, uma empresa da Austrália, por exemplo, já está praticando a jornada reduzida e aprovou os resultados. Mas, afinal, será que isso daria certo no Brasil?

De acordo com os consultores ouvidos pelo Yahoo, a sociedade e as leis trabalhistas brasileiras precisariam passar por grandes mudanças para que esse cenário pudesse virar uma realidade.

Na opinião de Wiliam Sousa, Gerente de Negócios Corporativos da Thomas Case & Associados, consultoria de gestão de carreiras e RH, há uma tendência global à remuneração por produtividade e não mais por tempo de permanência na empresa. “Até acredito que a redução da jornada trata resultados positivos, mas é necessário avaliar a organização como um todo para se pensar na viabilidade desse modelo”, acredita.

Já Lucas Oggiam, gerente sênior da Page Personnel, acredita que ainda será preciso muita evolução para que isso aconteça. “Acredito que temos muito a evoluir em termos de produtividade de trabalho, portanto, concordo sim com a diminuição de jornada de trabalho. Porém, ainda temos mudanças que devem anteceder esse tipo de  comportamento: mudança social de como as pessoas lidam com o trabalho, investimentos grandes em infraestrutura e mudanças profundas em nosso sistema legislativo”, fala.

Oggiam acredita que a redução de carga horária não funcionaria no Brasil atualmente por conta de alguns pontos. Um deles é investir em infraestrutura para manter verdadeiramente a produtividade. A outra questão, segundo Oggiam, é a própria improdutividade do brasileiro. “O brasileiro – por seu perfil cultural relacional e amistoso – tende a se distrair facilmente, seja por cafezinhos ou com as mídias sociais, e a perda de foco custa muito em produtividade. Uma série de estudos já comprovou anteriormente que brasileiros são mais improdutivos do que outras culturas que possuem um perfil mais objetivo e prático.

Por fim, ele também destaca a burocracia como um grande entrave para que uma redução da jornada aconteça. A burocracia de tudo no Brasil atrapalha a produtividade de todas empresas, e definitivamente atrasa a produtividade do país (sem mencionar o aumento direto da corrupção atrelada ao tema). Exemplos práticos de atrasos no dia a dia de empresas e funcionários são nossa legislação trabalhista, e a complexidade do nosso sistema tributário”, exemplifica.

Sousa acredita que há potencial que a jornada reduzida dê certo para alguns segmentos e ele acredita que as empresas terão que avaliar caso a caso. “Será preciso analisar o tipo de atividade do colaborador e sua produtividade. Em muitas empresas, nota-se que o profissional passa uma parte do tempo em baixo rendimento. Reduzir a carga horária poderia resultar em redução de custos e melhora da produtividade. Em outros cenários, principalmente os de produção fabril em larga escala, o ritmo de trabalho é mais regular, tendo a redução da carga horária, nesses casos, potencial desvantagem”, explica.

No entanto, os consultores acreditam que a cultura e legislação conservadora do Brasil podem atrasar esse tipo de mudança no ambiente trabalhista das empresas.

A maioria das cias, no entanto, já tem adotado algumas flexibilidades como benefícios para os colaboradores, como home office, creche/espaço para bebês no prédio e horário de entrada ou saída flexíveis. “Esses benefícios são ótimos para quem busca o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.São iniciativas que, geralmente, reduzem os níveis de stress e trazem maior satisfação no trabalho, e esse movimento tem sido impulsionado pelos colaboradores das novas gerações”, finaliza Sousa.

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