Recessão em Portugal se acentua e desemprego atinge número recorde

Lisboa, 14 ago (EFE).- A recessão em Portugal voltou a crescer no segundo trimestre do ano, com uma queda de 3,3% do PIB, o maior retrocesso registrado na economia do país desde 2009, enquanto o desemprego alcançou o número recorde de 15%, segundo estimativa do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) português divulgada nesta terça-feira.

Os números refletem uma piora dos indicadores macroeconômicos do país, que conta com assistência financeira da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) desde maio de 2011.

Desta forma, o PIB de Portugal segue em queda livre pelo sexto trimestre consecutivo (desde o início de 2011) e retrocedeu 1% em comparação aos três primeiros meses de 2012.

A taxa de desemprego ficou pela primeira vez em 15% - a terceira mais alta da União Europeia - um número que jamais tinha sido atingido e que equivale a 827 mil pessoas sem empregos, 152 mil a mais do que no ano passado.

A contração da economia lusa é explicada pelo comportamento da demanda interna, que vem piorando desde o início de 2012, especialmente na área de investimentos, segundo o INE.

De fato, os indicadores de consumo caíram e chegaram aos níveis mais baixos da história do país, prejudicados pelo aumento do desemprego e de impostos.

Em contrapartida, a contribuição positiva da demanda externa ajudou o PIB português a amenizar sua queda graças à "diminuição intensa das importações", enquanto as exportações seguiram aumentando, embora num ritmo mais lento do que há três meses.

O governo luso, assim como a UE e o FMI, calcula que a economia do país deve fechar o ano com uma recessão de 3%.

As previsões para os índices de desemprego não são animadoras. Calcula-se que Portugal feche o ano com 15,5% da população sem emprego, e que em 2013 esse número fique em 16%.

Portugual vive, assim como outros países da Europa, a pior crise de sua história moderna e está sob o severo programa de ajustes estipulados pelas autoridades do país com o FMI e a UE, que determina o recorte o déficit público e a reforma da economia portuguesa para superar problemas estruturais.

O país contou com uma ajuda de 78 bilhões de euros de instituições internacionais, usada para cobrir os compromissos financeiros a longo prazo.

A previsão é que Portugal retorne ao mercado no segundo semestre de 2013 com um leilão de títulos de longo prazo da dívida do país, embora muitos especialistas duvidem da capacidade do país e especulam a possibilidade de um segundo empréstimo. EFE

otp/ff-dk

 
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