BRASÍLIA - A diferença entre depósitos e saques na caderneta de poupança resultou em uma captação líquida de R$ 8,3 bilhões em julho: o melhor resultado para o mês desde quando o Banco Central (BC) começou a registrar os dados em 1995. Desde que o governo anunciou mudanças na rentabilidade da aplicação, em maio, essa diferença só aumentou. Apenas nos últimos três meses, a captação foi de R$ 19,6 bilhões: 83% do resultado dos primeiros sete meses deste ano. Em todo o ano, ingressaram, já descontando os saques, R$ 23,7 bilhões nas cadernetas.
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De acordo com especialistas, houve uma migração de aplicações financeiras em fundos de investimento para a poupança, já que ela ficou mais atraente porque os fundos perderam rentabilidade desde quando o BC começou a baixar os juros no ano passado.
A mudança anunciada pelo governo foi pensada justamente para evitar essa corrida para a poupança porque os fundos de investimentos têm papéis da dívida pública brasileira. A decisão - que poderia ser encarada como delicada pelo fantasma do confisco nos anos 90 - foi tomada num ano eleitoral e deixou caminho aberto para o BC continuar a cortar os juros.
Desde o dia 4 de maio, os novos depósitos deixaram de ser corrigidos pela fórmula de 6% ao ano, além da taxa referencial (TR) toda vez que a taxa básica (Selic) cair para 8,5% ao ano. A partir desse patamar, a aplicação rende 70% da Selic mais TR. O gatilho da mudança foi acionado no mesmo mês, quando o BC cortou os juros básicos de 9% ao ano para 8,5% ao ano.

