Acordos na cúpula da UE provocam euforia nos mercados

Redação Internacional, 29 jun (EFE).- Os mercados europeus, especialmente o espanhól e o italiano, responderam nesta sexta-feira com fortes altas às decisões da cúpula da União Europeia (UE), que abriram caminho para recapitalizar os bancos sem riscos para o Estado.

Após uma intensa negociação, os líderes europeus anunciaram na madrugada desta sexta-feira que alcançaram um acordo sobre as medidas exigidas por Espanha e Itália, os dois países mais castigados pela pressão dos mercados da dívida, e portanto com mais dificuldades para se financiar.

O acordo foi recebido nos dois países com euforia. A Bolsa de Madri fechou com alta de 5,66%, a maior dos últimos dois anos, e a de Milão subiu 6,59%.

As outras bolsas europeias também se deixaram levar pelo otimismo: Londres avançou 1,42%, Paris, 4,75%, e Frankfurt, 4,33%.

O prêmio de risco espanhol, a diferença entre os juros do bônus espanhol a dez anos e do alemão de mesmo próprio prazo, que durante dias esteve acima de 500 pontos, relaxou e fechou em 475 pontos básicos, e a rentabilidade do bônus espanhol se afastou do temido 7% e fechou em 6,33%.

Apesar da melhora, tanto o diferencial como o rendimento do bônus se encontram nos mesmos níveis de princípios de junho. O bônus italiano fechou com rendimento de 5,82% e o prêmio de risco terminou em 423 pontos.

O euro também participou da onda de otimismo e no mercado de divisas de Frankfurt chegou a subir até US$ 1,27, depois se estabilizou em US$ 1,2685, frente ao US$ 1,24 de quinta-feira.

Do outro lado do Atlântico, a Bolsa de Nova York também recebeu com otimismo os acordos da cúpula da UE e por volta do meio do pregão o Dow Jones Industrial subia 1,71%.

Estas foram as reações dos mercados às decisões adotadas pelos chefes de Estado e Governo da UE em uma cúpula que terminou hoje, na qual Espanha e Itália participaram com determinação para forçar a concessão de ajudas, embora para isso acordos prévios tiveram que ser derrubados.

A queda-de-braço dos chefes de Governo da Itália e Espanha, Mario Monti e Mariano Rajoy, respectivamente, contra a Alemanha, foi maior durante a madrugada, quando os dois recusaram assinar o pacto pelo crescimento econômico. Mas no final da cúpula a insistência dos líderes deu resultados.

Entre as conquistas mais importantes se destaca o acordo para que os fundos de resgate comprem dívida soberana, mecanismo que permitirá reduzir o custo da dívida no mercado secundário, mas que Rajoy descartou utilizar por enquanto.

Outras conquistas importantes para a Espanha, segundo o próprio presidente do Governo, foram a possibilidade dos bancos poderem se recapitalizar diretamente e que a ajuda não seja considerada dívida prioritária, questão que tinha afastado os investidores da dívida soberana espanhola.

Rajoy disse que os bancos espanhóis se beneficiarão dessa opção assim que a zona do euro aprovar a criação de uma entidade supervisora bancária, algo que ele acredita que ocorrerá antes do fim do ano.

Todos os grandes componentes do IBEX 35, o principal índice da bolsa espanhola, terminaram em alta, embora o melhor desempenho tenha sido dos bancos.

A maior alta foi do BBVA, que subiu 9%; seguido pelo Santander, com 6,88%. Também foram contagiadas pelo otimismo as ações da Telefónica (5,17%), Iberdrola (4,38%) e Inditex (4,30%).

Nenhum componente registrou queda hoje na bolsa espanhola, embora os menores lucros tenham sido da reestruturada instituição bancária Bankia (2,67%). EFE

 
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